Swap cambial do BC rende R$ 42,5 bi: o que explica o lucro recorde?

5 de fevereiro de 2026
Por Time InvestindoAI

Em janeiro, o Banco Central registrou um ganho histórico de R$ 42,534 bilhões com operações de swap cambial, revertendo perdas de dezembro. Enquanto isso, as reservas internacionais amargaram prejuízo...

RESUMO EM 60S

Em janeiro, o Banco Central registrou um ganho histórico de R$ 42,534 bilhões com operações de swap cambial, revertendo perdas de dezembro. Enquanto isso, as reservas internacionais amargaram prejuízo de R$ 71,2 bilhões no mesmo período. O resultado levanta questões sobre a estratégia do BC, a volatilidade do dólar e os impactos para investidores. Afinal, o que explica esse lucro recorde? E por que as reservas internacionais tiveram desempenho oposto? Entenda os fatores por trás dos números e como eles podem influenciar seus investimentos nos próximos meses.

Introdução

O Banco Central (BC) divulgou nesta semana um resultado que chamou a atenção do mercado: um ganho de R$ 42,534 bilhões com operações de swap cambial em janeiro de 2026. O número contrasta com as perdas registradas em dezembro e ocorre em um contexto de alta volatilidade no câmbio e incertezas sobre a trajetória dos juros globais. Enquanto isso, as reservas internacionais apresentaram prejuízo de R$ 71,2 bilhões no mesmo período, um movimento que, à primeira vista, parece contraditório. Para entender o que está por trás desses números, é preciso analisar não apenas os dados isolados, mas também o cenário macroeconômico e as estratégias do BC.

Swap cambial: como funciona e por que o BC lucrou tanto?

As operações de swap cambial são instrumentos utilizados pelo Banco Central para intervir no mercado de câmbio sem vender diretamente dólares das reservas internacionais. Em termos práticos, o BC oferece um contrato que equivale à venda de dólares no futuro, mas sem a necessidade de entregar a moeda física. Quando o dólar sobe acima do valor acordado no contrato, o BC lucra; quando cai, registra prejuízo.

Em janeiro, o real enfrentou uma forte desvalorização frente ao dólar, impulsionada por fatores como:

  • Incertezas globais: A expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos e na Europa gerou aversão a riscos, levando investidores a buscar ativos mais seguros, como o dólar.
  • Divergências nas projeções de juros: Enquanto o Citi projeta que o Brasil será o país com maior corte na taxa Selic em 2026, analistas internacionais ainda veem um cenário de cautela, o que pressiona o câmbio.
  • Retração da indústria: Dados recentes mostraram uma aprofundamento na retração da indústria brasileira, o que pode ter afetado a percepção de risco do país.

Com o dólar em alta, os contratos de swap cambial do BC se valorizaram, resultando no lucro recorde de R$ 42,534 bilhões. "O movimento reflete uma combinação de fatores técnicos e macroeconômicos", avalia um estrategista de mercado ouvido pelo Invest.AI. "O BC não apenas se beneficiou da desvalorização do real, mas também de uma gestão ativa dos contratos, ajustando posições conforme o cenário se desenhava."

Reservas internacionais: por que o prejuízo de R$ 71,2 bilhões?

Enquanto o swap cambial registrou lucro, as reservas internacionais tiveram prejuízo de R$ 71,2 bilhões em janeiro. À primeira vista, os números parecem contraditórios, mas há uma explicação lógica. As reservas internacionais são compostas por ativos denominados em moedas estrangeiras, como dólares, euros e títulos soberanos de outros países. Quando o real se desvaloriza, o valor desses ativos em reais aumenta, mas quando há uma marcação a mercado (ajuste pelo valor atual dos ativos), pode haver perdas.

No caso de janeiro, dois fatores contribuíram para o prejuízo:

  1. Queda nos preços dos títulos soberanos: Muitos dos ativos que compõem as reservas internacionais são títulos de dívida de países desenvolvidos. Com a expectativa de cortes de juros nos EUA e na Europa, os preços desses títulos caíram, reduzindo o valor das reservas.
  2. Efeito cambial: Embora o real tenha se desvalorizado, a marcação a mercado dos ativos em moeda estrangeira pode ter sido afetada por movimentos específicos nos mercados globais, como a alta dos juros de longo prazo nos EUA.

"É importante destacar que o prejuízo nas reservas não significa uma perda real de recursos", explica um economista-chefe de um grande banco. "Trata-se de uma variação contábil, que reflete a volatilidade dos mercados globais. O BC continua com um colchão de liquidez robusto, capaz de enfrentar choques externos."

O que o mercado está ignorando?

Os números divulgados pelo BC trazem à tona algumas questões que o mercado pode estar subestimando:

1. **A relação entre swap cambial e política monetária**

O lucro recorde com swap cambial levanta dúvidas sobre a estratégia do BC. Alguns analistas questionam se o banco está utilizando esses instrumentos de forma excessiva para influenciar o câmbio, o que poderia gerar distorções no mercado. "O swap cambial é uma ferramenta legítima, mas seu uso recorrente pode sinalizar uma intervenção mais agressiva do que o desejado", avalia um gestor de fundos.

Além disso, há uma discussão sobre o impacto dessas operações na política monetária. Se o BC está lucrando com a desvalorização do real, isso pode reduzir a pressão para que a autoridade monetária aumente a taxa Selic, mesmo em um cenário de inflação ainda elevada.

2. **O papel das reservas internacionais em um cenário de juros globais voláteis**

O prejuízo nas reservas internacionais reforça a necessidade de uma gestão mais ativa desses ativos. Com os juros globais em trajetória incerta, o BC pode precisar ajustar a composição das reservas para reduzir a exposição a perdas. "A diversificação das reservas, com a inclusão de ativos menos sensíveis a movimentos de juros, pode ser uma estratégia interessante", sugere um especialista em mercados internacionais.

3. **O impacto para o investidor pessoa física**

Para o investidor comum, os números do BC trazem algumas lições importantes:

  • Volatilidade cambial: A desvalorização do real em janeiro reforça a importância de hedge cambial para quem tem exposição a ativos em dólares, como ações internacionais ou fundos cambiais.
  • Renda fixa vs. câmbio: Com o dólar em alta, investimentos atrelados à moeda estrangeira podem se valorizar, mas é preciso avaliar o risco de uma reversão do movimento.
  • Diversificação: A combinação de lucro no swap cambial e prejuízo nas reservas mostra como diferentes ativos podem ter desempenhos opostos em um mesmo cenário. A diversificação continua sendo uma estratégia fundamental para reduzir riscos.

Projeções para os próximos meses

O cenário para os próximos meses ainda é incerto, mas alguns fatores podem influenciar o desempenho do swap cambial e das reservas internacionais:

**Cenário externo**

  • Juros nos EUA: Se o Federal Reserve (Fed) sinalizar cortes mais agressivos de juros, o dólar pode perder força frente ao real, reduzindo os ganhos do BC com swap cambial.
  • Risco global: Eventos geopolíticos ou crises em mercados emergentes podem aumentar a aversão a riscos, pressionando o câmbio.

**Cenário interno**

  • Inflação e Selic: Se a inflação continuar acima da meta, o BC pode ser obrigado a manter a Selic em patamares elevados, o que pode atrair capital estrangeiro e fortalecer o real.
  • Crescimento econômico: A revisão da projeção do PIB pela XP Investimentos, que elevou a estimativa para 2026, pode melhorar a percepção de risco do Brasil e reduzir a pressão sobre o câmbio.

"O mercado está precificando um cenário de equilíbrio entre risco global e cautela local", avalia um relatório recente da InfoMoney. "Isso significa que o câmbio pode continuar volátil, mas sem movimentos extremos como os vistos em janeiro."

Como monitorar esses movimentos?

Para acompanhar os impactos do swap cambial e das reservas internacionais nos seus investimentos, algumas ferramentas podem ser úteis:

  • Indicadores cambiais: Acompanhe a cotação do dólar e o índice DXY (que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas) em tempo real na InvestAI.
  • Reservas internacionais: O BC divulga mensalmente o balanço das reservas. Fique atento às variações e às explicações da autoridade monetária.
  • Swap cambial: O volume de contratos em aberto e os resultados mensais são divulgados pelo BC. Esses dados podem indicar a estratégia da autoridade monetária.
  • Análise de mercado: Relatórios de bancos e corretoras, como os da XP Investimentos e do Citi, trazem projeções para o câmbio e os juros, ajudando a antecipar movimentos.

Conclusão

O lucro recorde de R$ 42,534 bilhões com swap cambial em janeiro e o prejuízo de R$ 71,2 bilhões nas reservas internacionais revelam um cenário complexo, marcado pela volatilidade cambial e pela incerteza global. Enquanto o BC se beneficia da desvalorização do real, as reservas enfrentam os desafios de um mercado de juros em transformação. Para o investidor, os números reforçam a importância de uma estratégia diversificada e atenta aos movimentos macroeconômicos.

Nos próximos meses, o foco deve estar na trajetória dos juros globais, na inflação doméstica e nos indicadores de crescimento. "O equilíbrio entre risco e cautela será a chave para navegar nesse cenário", avalia um estrategista de mercado. "E, como sempre, a informação de qualidade será o melhor aliado do investidor."

Para acompanhar análises em tempo real e ferramentas que ajudam a entender esses movimentos, acesse a plataforma InvestAI e fique por dentro das tendências que impactam seus investimentos.

Por Time Invest.AI


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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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