IA ameaça lucros de software: o que o mercado não está vendo
Em meio à queda generalizada das ações de empresas de software na B3 e no mercado global, investidores brasileiros começam a questionar se a inteligência artificial (IA) é uma ameaça real aos modelos...
RESUMO EM 60S
Em meio à queda generalizada das ações de empresas de software na B3 e no mercado global, investidores brasileiros começam a questionar se a inteligência artificial (IA) é uma ameaça real aos modelos de negócios tradicionais ou apenas uma correção temporária. Enquanto gigantes como Microsoft e ServiceNow registram perdas expressivas na Nasdaq, o mercado local — representado por players como TOTVS e Locaweb — enfrenta pressão semelhante. O cenário levanta dúvidas: a IA está precificada de forma exagerada ou há um risco estrutural sendo ignorado? Analistas divergem, mas um padrão emerge: empresas com foco em automação e soluções verticais resistem melhor. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Introdução
A queda das ações de empresas de software no Brasil e no mundo não é um fenômeno isolado. Desde o início do ano, o setor tem sido um dos mais voláteis, com perdas acumuladas que chegam a dois dígitos em alguns casos. O que antes era visto como um segmento resiliente — impulsionado pela digitalização acelerada pós-pandemia — agora enfrenta um questionamento incômodo: a inteligência artificial (IA) está tornando obsoletos os modelos de negócios tradicionais? Ou o mercado está reagindo de forma exagerada a uma tecnologia ainda em fase de maturação?
No Brasil, a discussão ganha contornos específicos. Enquanto o Ibovespa ensaia uma recuperação moderada, as ações de empresas como TOTVS (TOTS3) e Locaweb (LWSA3) acumulam quedas superiores à média do índice. A XP Investimentos, em relatório recente, destacou que "o mercado pode estar subestimando o impacto da IA em segmentos como ERP e gestão empresarial", mas também alertou para o risco de uma "correção desproporcional". A pergunta que fica é: até que ponto a IA é uma ameaça real e não apenas um bode expiatório para um setor que já vinha mostrando sinais de saturação?
O que está por trás da queda das ações de software?
1. A pressão da IA: mais do que um hype?
O avanço da inteligência artificial generativa — como os modelos da OpenAI, Google e até soluções locais desenvolvidas por startups brasileiras — tem redefinido as expectativas dos investidores. Empresas que antes eram vistas como "portos seguros" no setor de tecnologia agora são questionadas: seus produtos podem ser substituídos por soluções mais baratas e eficientes baseadas em IA?
Um exemplo claro é o caso da ServiceNow, gigante global de automação de fluxos de trabalho, que viu suas ações caírem mais de 15% no último trimestre. Analistas do Citi apontam que "a IA está reduzindo a necessidade de softwares intermediários", especialmente em áreas como atendimento ao cliente e gestão de processos. No Brasil, a TOTVS, líder em ERP, enfrenta desafios semelhantes. Embora a empresa tenha investido em IA — como a solução "Pedro", assistente virtual para gestão empresarial —, o mercado ainda precifica um risco de disrupção.
2. Saturação do mercado e competição acirrada
Além da IA, outro fator pressiona as ações de software: a saturação do mercado. No Brasil, o número de empresas oferecendo soluções de gestão, e-commerce e automação cresceu exponencialmente nos últimos anos. A Locaweb, por exemplo, enfrenta concorrência não apenas de players globais como Shopify, mas também de startups locais que oferecem soluções mais baratas e flexíveis.
"O mercado de software no Brasil está maduro", avalia André Franco, estrategista da XP. "Há menos espaço para crescimento orgânico, e a competição por preços está erodindo as margens." Dados recentes da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) mostram que o setor cresceu apenas 3% em 2025, abaixo da média histórica de 8% a 10%.
3. O efeito dos juros e a aversão ao risco
O cenário macroeconômico também não ajuda. Com o Banco Central iniciando um ciclo de cortes na taxa Selic — o Citi projeta que o Brasil será o país com maior redução de juros em 2026 —, investidores têm migrado para ativos mais defensivos, como renda fixa e dividendos. "Empresas de software, especialmente as de menor capitalização, são vistas como mais arriscadas em um ambiente de juros baixos", explica um gestor de fundos ouvido pela Exame.
Além disso, a retração da indústria brasileira — que aprofundou sua queda no início de 2026 — reduz a demanda por soluções empresariais. "Se as empresas não estão crescendo, elas não investem em novos softwares", resume um analista do mercado.
Quem está resistindo à tempestade?
Nem todas as empresas de software estão no mesmo barco. Enquanto algumas enfrentam quedas expressivas, outras mostram resiliência — ou até mesmo valorização. O padrão que emerge é claro: empresas com foco em nichos específicos e soluções verticais tendem a performar melhor.
1. Automação e IA como diferencial
Empresas que já incorporaram IA em seus produtos estão se destacando. A Deepwater, por exemplo, especializada em soluções de automação para o setor de óleo e gás, viu suas ações subirem 12% no último mês. "A IA não é apenas uma ameaça; ela pode ser uma alavanca para empresas que souberem usá-la", afirma um relatório da XP.
No mercado global, a Microsoft é um caso emblemático. Apesar da queda inicial, suas ações se recuperaram após o anúncio de integração da IA em seus produtos de produtividade (como o Copilot). "A Microsoft mostrou que a IA pode ser uma fonte de receita, não apenas um risco", avalia um analista da Nasdaq.
2. Modelos de receita recorrente
Outro fator que tem protegido algumas empresas é o modelo de receita recorrente (SaaS, ou Software as a Service). Empresas como a Locaweb, que oferecem hospedagem e soluções para e-commerce, têm uma base de clientes mais estável. "O SaaS reduz a volatilidade da receita, o que é valorizado em momentos de incerteza", explica um gestor de fundos imobiliários (FIIs) que também investe em ações de tecnologia.
3. Foco em mercados emergentes
Empresas com exposição a mercados emergentes — especialmente na América Latina — também têm se saído melhor. A TOTVS, por exemplo, tem expandido suas operações no México e na Colômbia, onde o mercado de software ainda está em fase de crescimento. "A diversificação geográfica é uma proteção contra a saturação do mercado brasileiro", destaca um relatório da InfoMoney.
O que o mercado pode estar ignorando?
1. A IA ainda é cara e complexa
Apesar do hype, a implementação de soluções de IA em larga escala ainda é um desafio para a maioria das empresas. "A IA generativa é poderosa, mas requer infraestrutura, dados de qualidade e mão de obra especializada", alerta um especialista em transformação digital. No Brasil, onde muitas empresas ainda lutam para digitalizar processos básicos, a adoção de IA pode ser mais lenta do que o mercado espera.
2. O valor dos dados
Empresas de software tradicionais têm um ativo que muitas startups de IA não possuem: dados históricos. A TOTVS, por exemplo, acumula décadas de informações sobre gestão empresarial no Brasil. "Esses dados são insubstituíveis e podem ser usados para treinar modelos de IA próprios", avalia um analista.
3. A resiliência do mercado brasileiro
O Brasil tem características únicas que podem proteger o setor de software local. A complexidade tributária e regulatória, por exemplo, torna difícil para empresas estrangeiras dominarem o mercado. "A TOTVS conhece as particularidades do Brasil como ninguém", diz um gestor. Além disso, o mercado de pequenas e médias empresas (PMEs) ainda é pouco explorado, oferecendo oportunidades de crescimento.
Como os investidores devem avaliar o setor?
Diante de um cenário tão incerto, como os investidores podem navegar pelo setor de software? Alguns pontos merecem atenção:
1. Analise o modelo de negócios
- Receita recorrente (SaaS): Empresas com contratos de longo prazo tendem a ser mais resilientes. Na InvestAI, você pode comparar o churn rate (taxa de cancelamento) de diferentes empresas em tempo real.
- Diversificação geográfica: Empresas com operações fora do Brasil podem ter menos risco. Verifique a exposição a mercados emergentes.
- Integração com IA: Empresas que já usam IA em seus produtos podem ter uma vantagem competitiva. Procure por casos de uso concretos, não apenas discursos.
2. Fique de olho nos múltiplos
O P/L (preço/lucro) das empresas de software está em níveis historicamente baixos, mas isso não significa que todas sejam boas oportunidades. "É preciso avaliar se a queda é justificada ou se há uma janela de oportunidade", diz um analista. Na InvestAI, você pode comparar o P/L de empresas como TOTVS e Locaweb com a média do setor.
3. Acompanhe os indicadores técnicos
Indicadores como o RSI (Relative Strength Index) podem ajudar a identificar se uma ação está sobrevendida. "Um RSI abaixo de 30 pode indicar uma oportunidade de compra, mas é preciso confirmar com fundamentos", explica um especialista. Na plataforma InvestAI, você pode monitorar esses indicadores em tempo real.
4. Diversifique, mas com cautela
Empresas de software podem ser voláteis, mas também oferecem potencial de crescimento. "Uma alocação de 5% a 10% em ações de tecnologia pode fazer sentido para investidores com perfil moderado", sugere um gestor. No entanto, é importante equilibrar com ativos mais defensivos, como FIIs ou renda fixa.
Conclusão
A queda das ações de empresas de software no Brasil e no mundo é um fenômeno complexo, impulsionado por uma combinação de fatores: o avanço da IA, a saturação do mercado, a competição acirrada e o cenário macroeconômico desafiador. No entanto, nem tudo é pessimismo. Empresas que souberem se adaptar — seja incorporando IA em seus produtos, seja focando em nichos específicos — podem não apenas sobreviver, mas prosperar.
Para os investidores, o momento exige cautela, mas também atenção às oportunidades. "O mercado pode estar precificando um risco exagerado", avalia um analista. "Empresas com fundamentos sólidos e capacidade de inovação podem se recuperar mais rápido do que o esperado."
O setor de software está em transformação, e a IA é apenas uma das peças desse quebra-cabeça. O desafio para os investidores é separar o ruído do sinal — e identificar quais empresas estão preparadas para o futuro. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.
Por Time Invest.AI
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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.