Selic em 15%: Gleisi critica BC e alerta para dívida pública em 2026
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, classificou como 'um absurdo' a manutenção da Selic em 15% ao ano pelo Banco Central, argumentando que a decisão implica em aumento da dívida pública. Em um cenári...
RESUMO EM 60S
A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, classificou como 'um absurdo' a manutenção da Selic em 15% ao ano pelo Banco Central, argumentando que a decisão implica em aumento da dívida pública. Em um cenário onde o Copom surpreendeu o mercado com projeções mais conservadoras para inflação (3,4% em 2026) e o Brasil registra o maior déficit fiscal da América Latina, a declaração reacende o debate sobre os limites da política monetária. Enquanto o Ibovespa atinge máximas históricas, investidores avaliam os impactos da taxa elevada em setores como construção civil e varejo, além dos riscos fiscais que podem pressionar ainda mais os juros no longo prazo. O mercado precifica cortes graduais a partir do segundo semestre, mas a tensão entre governo e BC adiciona uma camada de incerteza ao cenário econômico.
Introdução
A relação entre política monetária e fiscal no Brasil entrou em novo capítulo nesta semana. Após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 15% ao ano — patamar que vigora desde o segundo semestre de 2025 —, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, fez duras críticas à decisão, classificando-a como "um absurdo" e alertando para o impacto na dívida pública. A declaração, feita em evento do partido em Brasília, ocorre em um momento delicado: o país enfrenta o maior déficit fiscal da América Latina em 2026, segundo projeções recentes do mercado, enquanto o Banco Central ajusta suas expectativas de inflação para baixo (3,4% em 2026, ante 3,5% anteriormente).
O embate entre governo e BC não é novo, mas ganha contornos mais agudos em um cenário de juros elevados e crescimento econômico modesto. Enquanto o Ibovespa registra seu melhor janeiro desde 2020, com dez máximas históricas, setores sensíveis aos juros, como construção civil e varejo, sofrem com o custo do crédito. Para investidores, a pergunta que fica é: até que ponto a pressão política pode influenciar as decisões do Copom? E quais são os riscos reais para a dívida pública e para os ativos brasileiros?
O que diz o Copom e por que o mercado foi surpreendido
A decisão do Copom de manter a Selic em 15% não foi uma surpresa em si — as projeções do mercado já apontavam para essa possibilidade. O que chamou atenção foi o tom da comunicação do comitê, que sinalizou cautela em relação aos cortes de juros. Segundo fontes do mercado, o BC adotou uma postura mais conservadora ao ajustar sua projeção de inflação para 2026, mas manteve a expectativa de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, um sinal de que a trajetória de queda dos juros pode ser mais lenta do que o esperado.
O comunicado do Copom destacou que "a política monetária deve se manter contracionista por tempo suficiente para consolidar a convergência da inflação", uma linguagem que reforça a preocupação do BC com a ancoragem das expectativas. Para analistas, a mensagem foi clara: o Banco Central não está disposto a flexibilizar a política monetária enquanto não houver sinais mais robustos de controle fiscal e inflacionário.
A reação do mercado: Ibovespa em alta, mas setores pressionados
Apesar da manutenção da Selic em patamar elevado, o Ibovespa segue em trajetória de alta, aproximando-se dos 182 mil pontos. O desempenho positivo do índice em janeiro reflete, em parte, a resiliência de setores exportadores, como commodities e petróleo, que se beneficiam da demanda global. No entanto, a taxa de juros elevada continua a pesar sobre segmentos mais sensíveis ao crédito, como construção civil, varejo e pequenas empresas.
Dados da B3 mostram que, enquanto ações de empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) registram valorizações expressivas, papéis de construtoras e varejistas apresentam desempenho mais modesto. "O mercado está precificando um cenário de juros altos por mais tempo, o que favorece setores defensivos e exportadores", avalia um gestor de fundos ouvido pelo InfoMoney. "Mas é preciso ficar atento aos riscos fiscais, que podem pressionar ainda mais os juros no longo prazo."
Para acompanhar o desempenho desses setores em tempo real, investidores podem utilizar ferramentas como as disponíveis na InvestAI, que permitem analisar indicadores como P/L, EV/EBITDA e dividend yield de forma comparativa.
A crítica de Gleisi Hoffmann: um alerta para a dívida pública
A declaração de Gleisi Hoffmann, classificando a manutenção da Selic em 15% como "um absurdo", reflete a preocupação do governo com o impacto dos juros elevados na dívida pública. Segundo dados do Tesouro Nacional, o custo médio da dívida brasileira atingiu níveis recordes em 2025, pressionado pela combinação de juros altos e déficit fiscal crescente. Em 2026, o Brasil deve registrar o maior déficit fiscal da América Latina, segundo projeções do mercado, o que aumenta a vulnerabilidade do país a choques externos.
"A manutenção da Selic em 15% implica em um aumento significativo da dívida pública, o que limita o espaço para investimentos em áreas prioritárias, como saúde e educação", afirmou Gleisi em seu discurso. A crítica, no entanto, ignora um ponto crucial: a responsabilidade do Banco Central é controlar a inflação, e não financiar o déficit fiscal do governo. "O BC não pode abrir mão de sua autonomia para atender a pressões políticas", avalia um economista-chefe de um grande banco brasileiro.
Os riscos fiscais e a pressão sobre os juros
O debate sobre a dívida pública não é apenas político, mas também técnico. Com a Selic em 15%, o custo de rolagem da dívida aumenta, o que pode levar a um ciclo vicioso: juros altos pressionam o déficit, que por sua vez exige mais emissões de dívida, elevando ainda mais os juros. "O mercado já está precificando um prêmio de risco maior para o Brasil, o que pode se refletir em uma taxa de câmbio mais desvalorizada e em um custo de captação mais alto para empresas", explica um analista de renda fixa.
Dados do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral atingiu 78% do PIB em 2025, um patamar considerado elevado para países emergentes. A manutenção da Selic em níveis elevados só agrava esse cenário, aumentando a necessidade de ajustes fiscais no médio prazo. "O governo precisa apresentar um plano crível de controle de gastos, caso contrário, o mercado pode começar a questionar a sustentabilidade da dívida", alerta um gestor de fundos.
Para investidores que desejam monitorar os riscos fiscais e seus impactos nos ativos brasileiros, a InvestAI oferece ferramentas de análise macroeconômica, como projeções de dívida/PIB e indicadores de risco-país.
O que esperar daqui para frente: cortes graduais ou mais cautela?
As projeções do mercado indicam que o Copom deve iniciar um ciclo de cortes graduais da Selic a partir do segundo semestre de 2026, com a taxa chegando a 11,8% ao fim do ano, segundo gestoras consultadas pelo InfoMoney. No entanto, a comunicação recente do BC sugere que a trajetória de queda pode ser mais lenta do que o esperado, especialmente se os riscos fiscais se materializarem.
"O Banco Central está em uma posição delicada", avalia um economista. "Por um lado, precisa manter os juros altos para ancorar as expectativas de inflação. Por outro, sabe que juros elevados por muito tempo podem comprometer o crescimento econômico e aumentar a pressão sobre a dívida pública." A tensão entre governo e BC adiciona uma camada de incerteza ao cenário, o que pode levar a uma maior volatilidade nos ativos brasileiros nos próximos meses.
Implicações para investidores: como se posicionar?
Diante desse cenário, investidores devem adotar uma postura cautelosa e diversificada. Setores defensivos, como utilities e saúde, tendem a se beneficiar de um ambiente de juros elevados, enquanto segmentos cíclicos, como construção civil e varejo, podem enfrentar desafios. "É importante monitorar os indicadores fiscais e as comunicações do BC para ajustar as estratégias de investimento", recomenda um gestor de fundos.
Para quem investe em renda fixa, títulos indexados à inflação (como NTN-Bs) podem ser uma alternativa interessante, dada a expectativa de inflação controlada no médio prazo. Já em renda variável, ações de empresas com forte geração de caixa e baixa alavancagem tendem a performar melhor em um cenário de juros altos.
Na InvestAI, investidores podem acessar análises setoriais e comparar o desempenho de diferentes ativos em cenários de juros elevados, além de simular carteiras com base em projeções macroeconômicas.
Conclusão
O embate entre governo e Banco Central em torno da Selic reflete as tensões de um país que ainda busca equilíbrio entre crescimento econômico e controle inflacionário. Enquanto o BC mantém uma postura conservadora para ancorar as expectativas, o governo pressiona por juros mais baixos para aliviar a pressão sobre a dívida pública. Para investidores, o cenário exige atenção redobrada: os riscos fiscais e a trajetória dos juros serão determinantes para o desempenho dos ativos brasileiros em 2026.
O mercado precifica cortes graduais da Selic a partir do segundo semestre, mas a comunicação do Copom sugere que a trajetória pode ser mais lenta do que o esperado. Nesse contexto, a diversificação e o monitoramento constante dos indicadores econômicos são essenciais. "O investidor deve estar preparado para um cenário de maior volatilidade, com oportunidades em setores defensivos e riscos em segmentos mais sensíveis aos juros", avalia um analista.
Em um ambiente de incertezas, ferramentas como as disponíveis na InvestAI podem ser valiosas para tomar decisões mais informadas e alinhadas com o perfil de risco de cada investidor.
Por Time Invest.AI
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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.