Selic a 11,8% em 2026: o que gestoras não estão dizendo sobre o risco fiscal

28 de janeiro de 2026
Por Time InvestAI

Gestoras de investimento revisaram suas projeções para a taxa Selic em 2026, reduzindoa para 11,8% — um corte expressivo em relação às estimativas anteriores. Enquanto o mercado celebra o Ibovespa re...

RESUMO EM 60S

Gestoras de investimento revisaram suas projeções para a taxa Selic em 2026, reduzindo-a para 11,8% — um corte expressivo em relação às estimativas anteriores. Enquanto o mercado celebra o Ibovespa renovando máximas históricas e a inflação dando sinais de arrefecimento, há um elefante na sala: o déficit fiscal brasileiro, projetado para ser o maior da América Latina em 2026. Analistas apontam que a combinação de juros mais baixos e desequilíbrios fiscais persistentes pode criar um cenário de volatilidade à frente, especialmente para ativos de renda fixa e ações sensíveis a ciclos econômicos. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Introdução

O mercado brasileiro vive um paradoxo em janeiro de 2026. De um lado, o Ibovespa caminha para seu melhor desempenho mensal desde 2020, encostando nos 182 mil pontos, e as taxas de juros futuros despencam em meio a um otimismo seletivo. Do outro, gestoras como a Abreu Investimentos e a SAB Asset revisam suas projeções para a Selic no fim do ano para 11,8%, enquanto agências como a Fitch alertam para o maior déficit fiscal da região. A pergunta que poucos estão fazendo é: até que ponto o mercado está precificando riscos reais ou apenas surfando uma onda de liquidez global?

O corte nas projeções da Selic: números e narrativas

Segundo dados compilados pela InfoMoney em 28 de janeiro de 2026, gestoras reduziram a projeção para a Selic de patamares próximos a 15% para 11,8% ao fim de 2026. A justificativa oficial passa pelo arrefecimento da inflação — o Relatório Focus do Banco Central aponta para uma expectativa de IPCA em 4% para o ano, com os preços administrados recuando para 3,76%. Além disso, o PIB deve crescer 1,8% tanto em 2026 quanto em 2027, segundo as mesmas projeções.

No entanto, há nuances que merecem atenção. A inflação de serviços, por exemplo, segue pressionada, e o mercado de trabalho ainda opera com folga reduzida, segundo o Boletim Focus. "A queda nas projeções da Selic reflete mais um ajuste técnico do que uma mudança estrutural na economia", avalia Sofia Esteves, economista-chefe da Abra Asset Management, em entrevista ao MoneyTimes. "O Banco Central terá que equilibrar a necessidade de estimular a economia com os riscos de uma inflação resiliente, especialmente em um ano eleitoral."

O elefante na sala: o déficit fiscal e seus fantasmas

Enquanto o mercado celebra a queda nas taxas, um dado publicado pelo MoneyTimes em 28 de janeiro de 2026 joga um balde de água fria no otimismo: a Fitch Ratings projeta que o Brasil terá o maior déficit fiscal da América Latina em 2026, com a dívida bruta podendo superar 85% do PIB. "O déficit primário previsto para 2026, de cerca de 0,5% do PIB, é apenas a ponta do iceberg", alerta um relatório da gestora Abreu Investimentos. "Quando incluímos os juros da dívida, o déficit nominal pode chegar a 8% do PIB, um nível insustentável no médio prazo."

O problema é que o mercado parece estar ignorando esse risco. As taxas de juros futuros caíram de forma generalizada nos últimos dias, mesmo com a Petrobras anunciando uma redução de 5,2% nos preços da gasolina — um movimento que, em tese, poderia aliviar a pressão inflacionária, mas também reduz receitas fiscais em um momento de fragilidade nas contas públicas. "Há uma dissonância entre o que o mercado precifica e os fundamentos fiscais", observa um gestor da SAB Asset, que preferiu não se identificar. "Se o governo não apresentar um plano crível de ajuste, a conta pode chegar em forma de maior aversão ao risco e, consequentemente, juros mais altos."

Ibovespa em máximas: euforia ou armadilha?

O Ibovespa renovou máximas históricas em janeiro de 2026, com dez recordes consecutivos, segundo dados da B3. O movimento é impulsionado por uma combinação de fatores: liquidez global, queda nas taxas de juros domésticas e um apetite renovado por ativos de risco. No entanto, analistas questionam se o rally é sustentável, especialmente diante dos riscos fiscais.

"O mercado está precificando um cenário de 'Goldilocks' — crescimento moderado, inflação controlada e juros em queda", explica um estrategista da Abra Asset. "Mas há pouca margem para erros. Se o déficit fiscal continuar fora de controle, o Banco Central pode ser forçado a manter a Selic em patamares mais altos por mais tempo, o que seria um balde de água fria para o Ibovespa."

Além disso, há um fator técnico em jogo. O índice está fortemente concentrado em poucas ações, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), que respondem por mais de 30% da carteira teórica. "Essa concentração aumenta a volatilidade", alerta um relatório da InfoMoney. "Qualquer movimento adverso nesses papéis pode ter um impacto desproporcional no índice."

Renda fixa: a ilusão da segurança

Com a queda nas projeções da Selic, muitos investidores estão migrando para ativos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDBs, em busca de retornos mais atrativos. No entanto, especialistas alertam que a renda fixa não está imune aos riscos fiscais. "Se o déficit continuar alto, o governo pode ser forçado a emitir mais dívida, o que pressiona os juros no longo prazo", explica Sofia Esteves, da Abra Asset. "Isso significa que títulos prefixados podem sofrer desvalorização, enquanto os pós-fixados, como o Tesouro Selic, ficam mais atrativos."

Outro ponto de atenção é a duration dos títulos. Com a queda nas taxas, muitos investidores estão alongando o prazo de seus investimentos para capturar ganhos maiores. "Isso aumenta a sensibilidade da carteira a movimentos na curva de juros", alerta um gestor da SAB Asset. "Se a Selic voltar a subir, os títulos de longo prazo podem sofrer perdas significativas."

O que os investidores devem observar

Diante desse cenário, investidores devem adotar uma postura cautelosa e diversificada. Aqui estão alguns pontos de atenção:

  • Fiscal x Monetário: Acompanhe de perto os indicadores fiscais, como o resultado primário e a dívida bruta do governo. Qualquer sinal de deterioração pode levar a uma revisão nas projeções da Selic.
  • Inflação de serviços: Embora o IPCA geral esteja em queda, a inflação de serviços segue pressionada. Isso pode limitar o espaço para cortes adicionais na Selic.
  • Concentração no Ibovespa: O índice está fortemente concentrado em poucas ações. Diversificar a carteira com small caps ou ativos internacionais pode reduzir o risco.
  • Duration na renda fixa: Com a queda nas taxas, evite alongar demais a duration dos títulos. Prefira ativos pós-fixados ou com prazos mais curtos.
  • Cenário externo: A política monetária dos Estados Unidos e a trajetória do dólar global continuam sendo fatores de risco para o mercado brasileiro.

Para acompanhar esses indicadores em tempo real, plataformas como a InvestAI oferecem ferramentas de monitoramento de inflação, juros e fiscal, permitindo que o investidor tome decisões mais informadas.

Conclusão

As projeções de Selic em 11,8% para o fim de 2026 refletem um otimismo cauteloso do mercado, mas ignoram riscos fiscais que podem se materializar nos próximos meses. Enquanto o Ibovespa renova máximas e as taxas de juros caem, o déficit fiscal brasileiro permanece como uma ameaça latente, capaz de reverter rapidamente o humor dos investidores. "O mercado está precificando um cenário benigno, mas a realidade fiscal do Brasil exige mais atenção", resume um relatório da Abreu Investimentos.

Para o investidor, o momento pede equilíbrio. Aproveitar a queda nas taxas para diversificar a carteira é uma estratégia válida, mas sem perder de vista os riscos. A renda fixa pode oferecer oportunidades, desde que com prazos adequados e atenção à duration. Já no mercado de ações, a seletividade será fundamental, especialmente em um ano eleitoral que promete trazer volatilidade adicional.

Em um cenário de incertezas, a melhor estratégia continua sendo a diversificação e o acompanhamento constante dos fundamentos econômicos. Afinal, como diz o ditado do mercado: "O diabo está nos detalhes."

Por Time Invest.AI


🚀 Leve sua análise para o próximo nível

Quer aplicar essa análise com dados reais e Inteligência Artificial?

A InvestAI monitora o mercado 24/7 para você. Descubra oportunidades escondidas antes de todo mundo.

👉 Criar conta gratuita no InvestAI


Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

Voltar para o blog