Copom em xeque: Por que o mercado precifica manutenção da Selic hoje e cortes só em maio?
O Banco Central enfrenta um dilema clássico: cortar juros para estimular a economia ou mantêlos elevados para conter a inflação persistente. Com o Ibovespa renovando máximas históricas e o dólar osci...
RESUMO EM 60S
O Banco Central enfrenta um dilema clássico: cortar juros para estimular a economia ou mantê-los elevados para conter a inflação persistente. Com o Ibovespa renovando máximas históricas e o dólar oscilando próximo a R$ 4,80, o mercado precifica alta probabilidade de o Copom manter a Selic em 12,25% na reunião de hoje (28/01/2026), adiando cortes para maio. A decisão reflete a cautela diante do déficit fiscal recorde projetado para 2026 e da inflação de serviços ainda pressionada. Enquanto gestoras revisam projeções para a Selic terminal em 11,8%, investidores se perguntam: o que o BC está enxergando que o mercado ainda não viu?
Introdução
Janeiro de 2026 tem sido um mês de contrastes para o mercado brasileiro. De um lado, o Ibovespa caminha para seu melhor desempenho no mês desde 2020, com dez máximas históricas e uma valorização próxima de 8% no acumulado do ano. Do outro, a sombra do déficit fiscal recorde na América Latina e a inflação de serviços teimosa mantêm os juros reais entre os mais altos do mundo. Nesse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne hoje para decidir o rumo da Selic, com o mercado precificando uma manutenção da taxa em 12,25% e adiando o início do ciclo de cortes para maio. Mas por que essa cautela? E quais os sinais que o BC pode estar monitorando além dos dados óbvios?
O consenso do mercado: Por que a Selic deve ficar parada hoje?
A precificação do mercado para a reunião de hoje reflete uma combinação de fatores técnicos e fundamentais. Segundo dados da B3, os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 indicam uma probabilidade de 85% de manutenção da Selic em 12,25%. Essa expectativa se sustenta em três pilares:
Inflação de serviços ainda pressionada: Apesar da queda recente no IPCA cheio, o núcleo de serviços — considerado um termômetro mais preciso da inflação estrutural — segue acima da meta, em 4,2% no acumulado de 12 meses, segundo o último Relatório Focus. "O BC não pode ignorar que os preços de serviços, como educação e saúde, continuam subindo acima do esperado", avalia um economista-chefe de uma gestora de São Paulo, em entrevista ao InfoMoney.
Déficit fiscal recorde: A Fitch Ratings projeta que o Brasil terá o maior déficit fiscal da América Latina em 2026, com um rombo equivalente a 7,2% do PIB. "Quando o governo gasta mais do que arrecada, a pressão inflacionária aumenta, e o BC é obrigado a manter juros mais altos para compensar", explica um analista de renda fixa da XP Investimentos. Esse cenário fiscal fragilizado reduz o espaço para cortes agressivos da Selic.
Cautela global: Com o Federal Reserve (Fed) dos EUA sinalizando que não deve iniciar cortes de juros antes do segundo semestre de 2026, o BC brasileiro evita uma postura muito expansionista que poderia levar à desvalorização do real. "Uma Selic muito abaixo dos juros americanos atrairia capital especulativo para fora do Brasil, pressionando o dólar", destaca um relatório da Genial Investimentos.
O que o mercado pode estar ignorando?
Enquanto o consenso aponta para manutenção da Selic hoje, há nuances que merecem atenção. O mercado parece subestimar dois fatores:
A resiliência do mercado de trabalho: Apesar do PIB crescer abaixo de 2% em 2026, o desemprego segue em queda, com a taxa em 7,5% no último trimestre de 2025, segundo o IBGE. "Um mercado de trabalho aquecido pode sustentar a inflação de serviços por mais tempo do que o esperado, mesmo com juros altos", alerta um economista da Tendências Consultoria. Isso poderia levar o BC a adiar cortes além de maio.
A dinâmica dos preços administrados: O Boletim Focus projeta que os preços administrados (como energia elétrica e combustíveis) devem subir 3,76% em 2026, abaixo da inflação geral. No entanto, qualquer surpresa nesse segmento — como reajustes inesperados nas tarifas de energia — poderia alterar o cenário. "O BC monitora de perto os preços administrados, pois eles têm impacto direto na inflação percebida pela população", observa um relatório do Banco Safra.
Gestoras revisam projeções: Selic terminal em 11,8% ao fim de 2026
As gestoras de investimento têm revisado suas projeções para a Selic ao longo de 2026. Segundo uma pesquisa da Infomoney, a mediana das estimativas aponta para uma taxa terminal de 11,8% no final do ano, abaixo dos 15% projetados no início de 2025. Essa revisão reflete:
- Queda nas expectativas de inflação: O Relatório Focus reduziu a projeção do IPCA para 2026 de 4,02% para 4%, sinalizando um ambiente mais favorável para cortes de juros.
- Melhora nas contas externas: O saldo da balança comercial brasileira atingiu US$ 85 bilhões em 2025, um recorde histórico, o que reduz a pressão sobre o real e dá mais espaço para o BC agir.
- Cenário global menos adverso: Com a expectativa de que o Fed inicie cortes de juros no segundo semestre de 2026, o BC brasileiro ganha margem para reduzir a Selic sem temer uma fuga de capitais.
No entanto, as projeções variam significativamente entre as gestoras. Enquanto algumas, como a Verde Asset, apostam em cortes mais agressivos, outras, como a Kapitalo Investimentos, defendem uma postura mais conservadora. "A incerteza fiscal ainda é um risco relevante. Se o governo não conseguir aprovar medidas de ajuste, o BC pode ser forçado a manter juros mais altos por mais tempo", avalia um gestor da Kapitalo.
Impacto no mercado: O que muda para o investidor?
A decisão do Copom hoje e o ritmo dos cortes futuros têm implicações diretas para diferentes classes de ativos:
Renda fixa: Tesouro Selic e prefixados em alta
Com a manutenção da Selic em 12,25%, os títulos atrelados à taxa, como o Tesouro Selic, seguem atrativos para investidores conservadores. "Para quem busca segurança, a renda fixa continua sendo uma opção interessante, especialmente com juros reais acima de 5% ao ano", destaca um analista da Rico Investimentos. Já os títulos prefixados, como o Tesouro Prefixado 2029, podem se beneficiar de um cenário de cortes graduais da Selic, com ganhos de capital.
Na plataforma InvestAI, você pode comparar o desempenho histórico do Tesouro Selic com outros ativos de renda fixa e avaliar qual se encaixa melhor no seu perfil de risco.
Ações: Ibovespa renova máximas, mas com cautela
O Ibovespa tem se beneficiado da expectativa de cortes de juros no médio prazo, com setores como varejo, construção civil e bancos liderando as altas. No entanto, a manutenção da Selic em patamares elevados pode limitar o apetite por risco. "O mercado já precificou parte dos cortes futuros, então qualquer adiamento pode levar a uma correção", alerta um estrategista da Guide Investimentos.
Para quem investe em ações, é crucial monitorar indicadores como o P/L (Preço/Lucro) e o ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) das empresas. Na InvestAI, você encontra esses dados atualizados em tempo real, além de análises setoriais que ajudam a identificar oportunidades.
Fundos Imobiliários (FIIs): Janela de oportunidade?
Os FIIs têm sido beneficiados pela queda das taxas de juros de longo prazo, com o IFIX renovando máximas em janeiro. No entanto, a manutenção da Selic em 12,25% pode manter a atratividade dos títulos de renda fixa, competindo com os rendimentos dos fundos imobiliários. "Os FIIs de tijolo, como shoppings e lajes corporativas, podem se beneficiar de uma retomada econômica mais forte, mas o cenário ainda é incerto", avalia um gestor de fundos da XP.
Para quem investe em FIIs, é importante analisar métricas como o dividend yield e a vacância dos imóveis. Na InvestAI, você pode acessar relatórios detalhados de fundos imobiliários e comparar seu desempenho com outros ativos.
Dólar: Pressão em 2026?
A manutenção da Selic em patamares elevados pode conter a desvalorização do real, mas o déficit fiscal recorde e a incerteza global ainda são riscos. "Se o BC adiar os cortes de juros além do esperado, o dólar pode voltar a pressionar a casa dos R$ 5,00", projeta um analista do Banco Original. Para quem opera no mercado cambial, é essencial acompanhar indicadores como o DXY (índice do dólar) e o risco-país do Brasil.
Conclusão: O que esperar nos próximos meses?
A decisão do Copom hoje deve confirmar a manutenção da Selic em 12,25%, com o mercado precificando o início dos cortes para maio. No entanto, o cenário ainda é repleto de incertezas. A inflação de serviços, o déficit fiscal e a dinâmica global são variáveis que podem alterar o ritmo dos cortes.
Para o investidor, o momento exige cautela e diversificação. Enquanto a renda fixa segue atrativa, as ações e os FIIs podem se beneficiar de um cenário de juros mais baixos no médio prazo. "O ideal é manter uma carteira equilibrada, com exposição a diferentes classes de ativos", recomenda um planejador financeiro da Órama Investimentos.
No longo prazo, o desafio do BC será conciliar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento econômico. "O Brasil precisa de reformas estruturais para reduzir o déficit fiscal e atrair investimentos. Sem isso, o ciclo de cortes de juros será limitado", avalia um economista da LCA Consultores.
Enquanto o mercado aguarda a decisão do Copom, uma coisa é certa: os próximos meses serão decisivos para definir o rumo da economia brasileira em 2026. Para acompanhar as análises em tempo real e tomar decisões mais informadas, acesse a plataforma InvestAI e explore as ferramentas de análise de mercado.
Por Time Invest.AI
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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.