Banco Mundial mantém projeção de crescimento do Brasil: o que o mercado não está vendo
RESUMO EM 60S O Banco Mundial manteve suas projeções de crescimento para o Brasil em 2,4% para 2025 e 2,2% para 2026, números que superam as estimativas do mercado local e do Banco Central. Enquanto...
RESUMO EM 60S
O Banco Mundial manteve suas projeções de crescimento para o Brasil em 2,4% para 2025 e 2,2% para 2026, números que superam as estimativas do mercado local e do Banco Central. Enquanto o consenso celebra a resiliência da economia brasileira, analistas alertam para riscos ocultos: a desaceleração gradual pode mascarar desequilíbrios setoriais, como o aumento das provisões bancárias e a volatilidade de ações ligadas a commodities. Em um cenário de juros globais ainda elevados e incertezas fiscais, o crescimento moderado pode não ser suficiente para sustentar os atuais múltiplos do Ibovespa. Investidores devem observar de perto os sinais de cautela dos grandes bancos e as revisões de projeções setoriais, especialmente em segmentos sensíveis ao ciclo econômico, como construção civil e varejo.
Introdução
O Brasil entra em 2026 com uma aparente contradição: enquanto o Banco Mundial mantém projeções otimistas de crescimento (2,4% em 2025 e 2,2% em 2026), o mercado financeiro local exibe sinais de cautela. Bancos aumentam provisões, ações de empresas-chave como Braskem (BRKM5) despencam, e analistas revisam preços-alvo de blue chips como Sabesp (SBSP3). Essa dicotomia levanta uma questão crucial: o que o mercado não está precificando corretamente nesse cenário de crescimento moderado? Para investidores, a resposta pode definir estratégias em renda variável, fundos imobiliários e até mesmo em títulos públicos.
O otimismo do Banco Mundial: fundamentos e ressalvas

- Divergência nas Projeções de Crescimento para o Brasil em 2026 (em pontos percentuais)*

- Projeções de Crescimento do PIB Brasileiro: Banco Mundial vs. Banco Central (2025-2026)*
Segundo relatório divulgado em 14 de fevereiro de 2026, o Banco Mundial manteve suas projeções para o PIB brasileiro, citando "resiliência do consumo das famílias e investimentos públicos em infraestrutura" como principais motores. A instituição destaca ainda o papel da América Latina como um todo, com países como Panamá e República Dominicana crescendo acima da média regional, o que poderia beneficiar indiretamente o Brasil via comércio exterior.
No entanto, há nuances importantes:
- Comparação internacional: O crescimento projetado para o Brasil (2,2% em 2026) está alinhado com a média da América Latina, mas abaixo de economias emergentes asiáticas, como Índia e Vietnã, que devem crescer acima de 6% no mesmo período.
- Fatores de risco: O Banco Mundial menciona explicitamente "incertezas fiscais" e "possíveis choques externos" como ameaças ao cenário. Isso inclui desde a trajetória da dívida pública brasileira até a volatilidade dos preços de commodities, como petróleo e minério de ferro.
- Divergência local: Enquanto o Banco Mundial mantém suas projeções, o Boletim Focus do Banco Central brasileiro aponta para um crescimento menor, em torno de 1,8% para 2026. Essa diferença de 0,4 ponto percentual pode parecer pequena, mas representa bilhões de reais em atividade econômica.
Para investidores, a pergunta chave é: por que o Banco Mundial está mais otimista que o mercado local? Uma hipótese é que a instituição esteja considerando um cenário de normalização monetária global mais rápida do que o esperado, com cortes de juros nos EUA e na Europa já em 2025. Se isso se concretizar, o Brasil poderia se beneficiar de um fluxo maior de capital estrangeiro, impulsionando investimentos.
Os sinais de cautela do mercado: o que os bancos estão dizendo
Enquanto o Banco Mundial projeta crescimento, os grandes bancos brasileiros adotam uma postura mais conservadora. Segundo reportagem do Valor Econômico publicada em 13 de fevereiro de 2026, instituições como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil registraram um aumento de 4,4% nas provisões para devedores duvidosos no último trimestre de 2025. Esse movimento sugere que os bancos estão se preparando para um cenário de maior inadimplência, o que pode indicar:
- Desaceleração do crédito: Com provisões mais altas, os bancos tendem a ser mais seletivos na concessão de empréstimos, o que pode frear o consumo e os investimentos privados.
- Pressão nos resultados: Maiores provisões reduzem a lucratividade dos bancos, o que pode impactar os preços das ações do setor, como ITUB4 e BBDC4.
- Sinal de alerta para o varejo: Se os bancos estão se preparando para mais calotes, é provável que o endividamento das famílias esteja em níveis preocupantes, o que pode afetar empresas de consumo, como Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3).
Outro dado relevante vem da Braskem (BRKM5), cujas ações caíram 10% em 12 de fevereiro após a Petrobras confirmar o exercício do direito de preferência na venda de sua participação. O movimento acendeu um alerta para investidores em empresas ligadas a commodities: mesmo em um cenário de crescimento moderado, fatores idiossincráticos podem gerar volatilidade intensa. A Braskem, por exemplo, enfrenta não apenas a incerteza sobre seu controle acionário, mas também desafios regulatórios e a pressão dos preços do petróleo, que impactam diretamente seus custos.
Setores em destaque: oportunidades e armadilhas
Com um crescimento projetado de 2,2% em 2026, alguns setores podem se beneficiar mais do que outros. No entanto, é preciso analisar além dos números macroeconômicos e observar os fundamentos micro.
Infraestrutura e saneamento: o caso Sabesp
O Bank of America elevou recentemente o preço-alvo de Sabesp (SBSP3) para R$ 180, citando "redução do risco regulatório" e "potencial de expansão dos serviços". A empresa, que passou por um processo de privatização parcial em 2024, é um exemplo de como o crescimento econômico pode se traduzir em oportunidades para investidores. No entanto, há riscos:
- Execução de projetos: A Sabesp tem metas ambiciosas de universalização do saneamento básico no estado de São Paulo, mas atrasos em obras ou mudanças regulatórias podem impactar os resultados.
- Alavancagem: Com investimentos pesados previstos, a empresa pode aumentar sua dívida, o que exige monitoramento constante dos indicadores de endividamento.
Para quem acompanha o setor, ferramentas como a análise de EBITDA ajustado e dívida líquida/EBITDA são essenciais. Na InvestAI, você pode comparar esses indicadores com outras empresas do setor de saneamento, como Sanepar (SAPR11) e Copasa (CSMG3), em tempo real.
Bancos: entre a cautela e a oportunidade
Os bancos brasileiros estão em um momento delicado. Por um lado, o aumento das provisões sugere cautela; por outro, a perspectiva de queda dos juros no médio prazo pode impulsionar a demanda por crédito. Para investidores, alguns pontos merecem atenção:
- Margens de juros: Com a possível redução da Selic, as margens dos bancos podem ser pressionadas, especialmente em produtos como crédito pessoal e financiamento imobiliário.
- Diversificação: Bancos com forte atuação em seguros e gestão de ativos, como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4), podem se beneficiar de um cenário de maior aversão ao risco.
- Valuation: Com o Ibovespa negociando a múltiplos elevados, é crucial analisar o P/L (Preço/Lucro) e o P/VP (Preço/Valor Patrimonial) dos bancos. Na InvestAI, você pode acessar esses indicadores e compará-los com a média histórica do setor.
Commodities: o risco da dependência
Empresas como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) são historicamente sensíveis ao crescimento econômico, especialmente em países como China e Índia. No entanto, o cenário atual traz desafios:
- Vale (VALE3): A demanda por minério de ferro pode ser afetada por uma desaceleração mais forte na China, que ainda enfrenta problemas no setor imobiliário. Além disso, a transição energética global pode reduzir a dependência de aço em longo prazo.
- Petrobras (PETR4): A empresa enfrenta pressões regulatórias e a volatilidade dos preços do petróleo. Mesmo com um crescimento moderado no Brasil, a demanda global por combustíveis fósseis pode não acompanhar o ritmo esperado.
Para investidores em commodities, é fundamental acompanhar indicadores como o preço do minério de ferro na bolsa de Dalian e o Brent. Na InvestAI, você pode configurar alertas para variações nesses ativos e analisar correlações com as ações brasileiras.
Renda fixa e fundos imobiliários: o que muda com o crescimento moderado
Em um cenário de crescimento de 2,2%, a renda fixa e os fundos imobiliários (FIIs) também são impactados, mas de maneiras distintas.
Renda fixa: a busca por equilíbrio
Com o Banco Central sinalizando uma possível redução da Selic em 2026, os investidores em renda fixa enfrentam um dilema:
- Títulos prefixados: Podem se beneficiar de uma queda mais rápida dos juros, mas carregam o risco de inflação acima do esperado.
- Títulos pós-fixados (como o Tesouro Selic): Oferecem proteção contra a volatilidade, mas podem ter retornos menores em um cenário de juros em queda.
- Debêntures: Empresas com boa classificação de crédito podem oferecer retornos atrativos, mas é preciso analisar a capacidade de pagamento em um cenário de crescimento moderado.
Para quem investe em renda fixa, a duration dos títulos é um indicador crucial. Na InvestAI, você pode calcular a duration de sua carteira e simular cenários de variação da Selic.
Fundos imobiliários: cautela com a vacância
Os FIIs tiveram um desempenho robusto em 2024 e 2025, impulsionados pela queda dos juros e pela retomada do mercado imobiliário. No entanto, um crescimento de 2,2% em 2026 pode trazer desafios:
- Vacância: Com a economia crescendo menos, empresas podem reduzir espaços de escritórios, aumentando a vacância em FIIs de lajes corporativas.
- Inadimplência: FIIs de recebíveis imobiliários (como CRIs) podem enfrentar maior inadimplência, especialmente se o desemprego subir.
- Oportunidades: FIIs de logística e galpões industriais podem se beneficiar do crescimento do e-commerce, mesmo em um cenário de economia mais fraca.
Para investidores em FIIs, é essencial acompanhar indicadores como dividend yield, vacância física e inadimplência. Na InvestAI, você pode filtrar FIIs por esses critérios e comparar o desempenho histórico.
O que o mercado pode estar ignorando
Em meio ao otimismo do Banco Mundial e à cautela dos bancos, há pelo menos três fatores que o mercado pode estar subestimando:
Impacto da política fiscal: O governo brasileiro ainda enfrenta desafios para cumprir a meta de déficit zero em 2026. Se os gastos públicos não forem controlados, a dívida bruta pode continuar crescendo, pressionando os juros de longo prazo e afetando o custo de captação das empresas.
Transição energética: O Brasil tem uma matriz energética relativamente limpa, mas a dependência de hidrelétricas pode ser um risco em anos de seca. Além disso, a transição para energias renováveis exige investimentos pesados, o que pode não se materializar em um cenário de crescimento moderado.
Riscos geopolíticos: Conflitos comerciais entre EUA e China, ou uma escalada de tensões no Oriente Médio, podem afetar os preços das commodities e o fluxo de capital para mercados emergentes, como o Brasil.
Para investidores, esses riscos reforçam a importância da diversificação e do monitoramento constante. Na InvestAI, você pode criar carteiras simuladas e testar diferentes alocações para avaliar como sua estratégia se comportaria em cenários adversos.