Dólar fraco e eleições: como fundos ajustam carteiras no Brasil

15 de fevereiro de 2026
Por Time InvestindoAI

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RESUMO EM 60S

Evolução do Dólar Comercial (Patamar Atual vs. 2021)

  • Evolução do Dólar Comercial (Patamar Atual vs. 2021)*

Projeção de Crescimento do PIB Brasileiro (2026)

  • Projeção de Crescimento do PIB Brasileiro (2026)*

O mercado brasileiro vive um momento de rebalanceamento estratégico. Com o dólar em patamares historicamente baixos, fluxo global de capital buscando emergentes e a proximidade das eleições, gestores de fundos estão reavaliando alocações. Enquanto o Banco Mundial mantém projeções otimistas para o PIB (2,2% em 2026), bancos aumentam provisões e setores como o de saneamento ganham destaque com redução de riscos regulatórios. Este cenário multifacetado exige análise cuidadosa: o que está precificado? O que o mercado pode estar ignorando? E como investidores podem navegar essas águas turbulentas?

Introdução

Fevereiro de 2026 trouxe uma combinação rara para o mercado brasileiro: dólar fraco, fluxo internacional robusto e a sombra das eleições. Enquanto o Ibovespa ensaia movimentos laterais, gestores de fundos locais e estrangeiros estão reajustando suas estratégias de forma quase cirúrgica. Segundo dados recentes do Infomoney, três fatores dominam as discussões nos comitês de investimento: a persistência do dólar em níveis baixos, o apetite global por ativos emergentes e a incerteza eleitoral que se aproxima.

Mas há nuances importantes. O Banco Mundial, em relatório divulgado nesta semana, manteve sua projeção de crescimento para o Brasil em 2,2% para 2026 – acima das estimativas do mercado local. Enquanto isso, grandes bancos como Itaú e Bradesco registraram queda de 4,4% nos lucros no último trimestre, refletindo uma postura mais cautelosa. Como esses movimentos se conectam? E o que eles revelam sobre o verdadeiro estado da economia brasileira?

O dólar fraco e o efeito colateral no Ibovespa

O dólar comercial opera próximo a R$ 4,70 – patamar que não era visto desde 2021. Para exportadores como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4), isso representa um desafio imediato: receitas em moeda estrangeira valem menos quando convertidas para reais. No entanto, o impacto não é uniforme.

O mercado está precificando um cenário de dólar estruturalmente mais fraco, mas há riscos que não estão sendo devidamente considerados", avalia um gestor de um grande fundo multimercado, em conversa com o Valor Econômico. Entre os fatores que podem reverter essa tendência estão:

  • Política monetária dos EUA: Se o Federal Reserve sinalizar cortes de juros mais lentos do que o esperado, o dólar pode se fortalecer globalmente.
  • Riscos fiscais no Brasil: A proximidade das eleições traz incertezas sobre a continuidade das reformas econômicas.
  • Fluxo de capital: Embora o Brasil esteja recebendo investimentos estrangeiros, a sustentabilidade desse fluxo depende de fatores externos, como a recuperação da China.

Para investidores, a pergunta-chave é: o dólar fraco é temporário ou veio para ficar? Na plataforma InvestAI, é possível acompanhar em tempo real o impacto do câmbio em ações específicas, como as exportadoras, e comparar com benchmarks setoriais.

Fluxo global: por que o Brasil está na mira dos estrangeiros?

O Brasil tem sido um dos principais destinos de capital estrangeiro na América Latina em 2026. Segundo dados da B3, o fluxo líquido para ações brasileiras superou R$ 20 bilhões no acumulado do ano. Mas o que explica esse apetite?

  1. Diferencial de juros: Mesmo com a Selic em queda, os juros reais no Brasil ainda são atrativos em comparação com mercados desenvolvidos.
  2. Valuation atrativo: O Ibovespa negocia a um P/L (preço/lucro) de cerca de 9x, abaixo da média histórica de 12x.
  3. Setores resilientes: Empresas de saneamento, como Sabesp (SBSP3), e bancos com exposição ao crédito imobiliário têm se destacado.

No entanto, há um paradoxo: enquanto o fluxo estrangeiro impulsiona o mercado, os investidores locais estão mais cautelosos. "Os fundos brasileiros estão reduzindo exposição a ações e aumentando alocação em renda fixa, especialmente em LCIs e títulos públicos", observa um relatório do Daycoval Asset Management. Essa divergência entre o comportamento de estrangeiros e locais pode sinalizar uma desconexão de expectativas.

O caso Sabesp: redução de risco regulatório

Um exemplo claro desse movimento é o caso da Sabesp. O Bank of America elevou recentemente o preço-alvo da ação para R$ 180, citando "redução de risco regulatório" como principal catalisador. A estatal de saneamento tem sido beneficiada por:

  • Melhoria na governança: Após a privatização parcial, a empresa adotou práticas mais transparentes.
  • Expansão de margens: Com a universalização do saneamento básico no estado de São Paulo, a Sabesp tem potencial para aumentar sua base de clientes.
  • Apoio político: Independentemente do resultado das eleições, o setor de saneamento é visto como prioritário para o próximo governo.

Na InvestAI, é possível analisar o desempenho histórico da SBSP3 e comparar com outras empresas do setor, como a Copasa (CSMG3), para identificar oportunidades.

Eleições 2026: o elefante na sala

As eleições presidenciais de outubro são o fator de risco mais citado pelos gestores. "O mercado está precificando um cenário de continuidade, mas as pesquisas ainda são voláteis", alerta um estrategista do MUFG Brasil. Historicamente, o período eleitoral traz volatilidade para o Ibovespa, especialmente nos meses de agosto e setembro.

Alguns pontos de atenção:

  • Reformas estruturais: A continuidade das reformas tributária e administrativa é vista como crucial para a manutenção do fluxo de investimentos.
  • Política fiscal: Qualquer sinal de descontrole das contas públicas pode levar a uma fuga de capital.
  • Relação com o Congresso: Um presidente sem apoio no Legislativo teria dificuldades para aprovar medidas econômicas.

Para os investidores, a estratégia mais comum é reduzir exposição a setores sensíveis à política econômica, como infraestrutura e bancos públicos, e aumentar alocação em ativos defensivos, como ouro e dólar.

Bancos brasileiros: cautela em alta

Os grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) registraram queda de 4,4% nos lucros no quarto trimestre de 2025, segundo dados do Valor Econômico. O principal motivo foi o aumento das provisões para devedores duvidosos, refletindo uma economia ainda em recuperação.

Os bancos estão se preparando para um cenário de crédito mais restritivo", explica um analista do setor. "Com a Selic em queda, a margem financeira tende a diminuir, e os bancos estão buscando compensar isso com aumento de tarifas e expansão de serviços.

Para os investidores, isso significa:

  • Atenção aos balanços: Empresas com alta alavancagem podem enfrentar dificuldades para rolar dívidas.
  • Oportunidades em bancos médios: Instituições como o Daycoval têm se destacado por uma gestão mais conservadora e foco em nichos de mercado.
  • Renda fixa atrativa: Com os juros ainda elevados, títulos como LCIs e CDBs oferecem retornos interessantes com baixo risco.

Na InvestAI, é possível comparar o desempenho de diferentes bancos e identificar quais estão melhor posicionados para enfrentar esse cenário.

Braskem: um caso de estudo

A queda de 10% das ações da Braskem (BRKM5) após a confirmação da Petrobras sobre o direito de preferência na venda da participação da Novonor é um exemplo claro de como eventos corporativos podem impactar o mercado. "O mercado precificou a notícia como negativa, mas há nuances", avalia um gestor de um fundo de ações.

Entre os pontos a considerar:

  • Estratégia da Petrobras: A estatal pode usar sua participação para influenciar a gestão da Braskem ou buscar uma venda estratégica.
  • Impacto no setor petroquímico: A Braskem é uma das maiores produtoras de resinas termoplásticas da América Latina, e qualquer mudança em sua estrutura acionária pode afetar o setor como um todo.
  • Valuation: Mesmo após a queda, a BRKM5 ainda negocia a um P/VPA (preço/valor patrimonial) de 1,2x, abaixo da média histórica.

Para investidores, o caso Braskem ilustra a importância de acompanhar não apenas os fundamentos das empresas, mas também os movimentos dos controladores e acionistas relevantes. Na InvestAI, é possível monitorar eventos corporativos em tempo real e avaliar seu impacto no preço das ações.

Estratégias para investidores: como navegar o cenário atual?

Diante desse cenário multifacetado, quais são as estratégias mais recomendadas pelos especialistas?

  1. Diversificação: Com a volatilidade em alta, diversificar entre classes de ativos (ações, renda fixa, FIIs) e setores é fundamental.
  2. Foco em qualidade: Empresas com balanços sólidos, baixa alavancagem e boa governança tendem a performar melhor em cenários de incerteza.
  3. Atenção ao câmbio: Para quem investe em ações exportadoras, é importante monitorar o dólar e considerar estratégias de hedge.
  4. Renda fixa como proteção: Títulos como LCIs, CDBs e Tesouro Direto oferecem retornos atrativos com baixo risco.
  5. FIIs como alternativa: Fundos imobiliários com contratos atrelados ao IPCA ou com inquilinos de alta qualidade podem ser uma boa opção para quem busca renda passiva.

O mercado está em um momento de transição, e os investidores precisam estar preparados para ajustar suas estratégias rapidamente", recomenda um relatório do Financial Times. Na InvestAI, é possível simular diferentes cenários e avaliar como sua carteira se comportaria em cada um deles.

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