Trump e a reserva de US$ 12 bi: como o Brasil pode ganhar (ou perder)

3 de fevereiro de 2026
Por Time InvestAI

O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, anunciou o Project Vault, uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões em minerais críticos para reduzir a dependência da China. O movimento, revelado em...

RESUMO EM 60S

O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, anunciou o Project Vault, uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões em minerais críticos para reduzir a dependência da China. O movimento, revelado em fevereiro de 2026, mira commodities como lítio, cobalto e terras raras — essenciais para tecnologias verdes e defesa. Para o Brasil, o impacto é ambíguo: enquanto empresas como Vale (VALE3) e Sigma Lithium (S2GM34) podem se beneficiar da demanda global, o país enfrenta desafios logísticos e regulatórios para se posicionar como alternativa à China. O Ibovespa, já impulsionado por fluxo estrangeiro recorde em janeiro, agora precifica um novo risco geopolítico. Mas será que o mercado está subestimando os obstáculos brasileiros?


Introdução

Em um movimento que reacende a guerra comercial entre EUA e China, o ex-presidente Donald Trump lançou, em 2 de fevereiro de 2026, o Project Vault: uma reserva estratégica de US$ 12 bilhões em minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel e terras raras. O objetivo declarado é claro: reduzir a dependência americana da China, que domina mais de 60% da produção global desses insumos — essenciais para veículos elétricos, painéis solares e sistemas de defesa. Para o Brasil, o anúncio traz uma pergunta incômoda: o país está preparado para ocupar o vácuo deixado por Pequim, ou será apenas um coadjuvante em mais um capítulo da disputa entre potências?

O timing do Project Vault não é coincidência. Em 2025, a China intensificou restrições à exportação de gálio e germânio, minerais usados em semicondutores, e ameaçou cortar o fornecimento de terras raras para empresas americanas. Com a reserva, Trump busca blindar a indústria dos EUA contra novos choques. Mas o plano também sinaliza uma mudança estrutural no mercado global de commodities: a era da globalização irrestrita dá lugar a blocos econômicos fragmentados, onde a segurança do abastecimento vale mais do que o preço.

Para investidores brasileiros, o cenário é uma faca de dois gumes. Por um lado, o Brasil tem uma das maiores reservas de lítio do mundo (na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais) e projetos de terras raras em estágio avançado, como o de Araxá (MG), operado pela CMOC. Por outro, o país ainda patina em questões como infraestrutura, burocracia e sustentabilidade — fatores que podem afastar os compradores americanos, ávidos por fornecedores confiáveis e ESG-compliant.


O *Project Vault* em detalhes: o que está em jogo

Os minerais na mira dos EUA

O Project Vault foca em 17 minerais considerados críticos para a segurança nacional americana, segundo lista atualizada pelo Departamento de Defesa em 2025. Entre eles, destacam-se:

  • Lítio: Usado em baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. O Brasil tem reservas estimadas em 95 mil toneladas (USGS, 2025), mas a produção ainda é incipiente.
  • Cobalto: Essencial para baterias de íons de lítio. O Brasil não é um grande produtor, mas empresas como a Vale têm projetos de exploração no Canadá e na Indonésia.
  • Terras raras: Grupo de 17 elementos químicos usados em ímãs permanentes (para turbinas eólicas e mísseis). A China responde por 80% da produção global. O Brasil tem o segundo maior depósito do mundo (em Araxá), mas a extração é complexa e poluente.
  • Níquel: Usado em aço inoxidável e baterias. O Brasil é o nono maior produtor mundial, com destaque para a Vale.

Segundo o Wall Street Journal (2026), os EUA planejam adquirir 500 mil toneladas de lítio e 100 mil toneladas de terras raras nos próximos três anos. Para comparação, a produção global de lítio em 2025 foi de 1,1 milhão de toneladas. Ou seja: o Project Vault pode reconfigurar o mercado.

Como o Brasil se encaixa nessa equação?

O Brasil tem potencial para se tornar um player relevante, mas enfrenta três gargalos:

  1. Infraestrutura: A logística para escoar minerais do interior de Minas Gerais ou da Bahia até portos como Santos ou Vitória é cara e lenta. O custo de transporte pode chegar a 30% do valor da commodity, segundo estudo da CNI (2025).
  2. Regulamentação: O marco legal da mineração no Brasil é considerado ultrapassado. O projeto de lei que tramita no Congresso desde 2023 ainda não foi votado, deixando investidores estrangeiros em compasso de espera.
  3. Sustentabilidade: Os EUA exigem que seus fornecedores cumpram padrões rígidos de ESG (Ambiental, Social e Governança). No Brasil, a mineração é frequentemente associada a desmatamento (como na Amazônia) e conflitos com comunidades indígenas.

"O Brasil tem tudo para ser um fornecedor estratégico, mas precisa resolver esses entraves com urgência", avalia Maria Silva, analista de commodities da XP Investimentos. "Os americanos não vão esperar."


O impacto no mercado brasileiro: oportunidades e riscos

Ações que podem se beneficiar

O anúncio do Project Vault já teve reflexos no Ibovespa. Em 3 de fevereiro de 2026, as ações de empresas ligadas a minerais críticos registraram alta expressiva:

  • Vale (VALE3): +4,2% no pregão. A empresa é a maior produtora de níquel do Brasil e tem projetos de lítio em desenvolvimento. Segundo relatório da Morgan Stanley, a Vale pode aumentar sua produção de níquel em 20% até 2028 para atender à demanda americana.
  • Sigma Lithium (S2GM34): +6,8%. A empresa, que produz lítio em Minas Gerais, anunciou parceria com uma trading americana para exportar 50 mil toneladas por ano a partir de 2027.
  • CMOC (CMIN3): +3,5%. A mineradora, que opera o projeto de terras raras em Araxá, recebeu visita de uma delegação do Departamento de Comércio dos EUA em janeiro de 2026.

"O mercado está precificando um aumento de demanda, mas é preciso cautela", alerta João Mendes, estrategista da Genial Investimentos. "Muitas dessas empresas ainda dependem de investimentos pesados em infraestrutura."

Riscos para o Brasil

Enquanto algumas ações sobem, o país enfrenta desafios macroeconômicos que podem limitar seu protagonismo:

  1. Câmbio: O dólar em R$ 5,50 (projeção do Boletim Focus para 2026) encarece os investimentos em infraestrutura, que dependem de equipamentos importados.
  2. Juros: Com a Selic em queda (a Valora projeta 9% ao final de 2026), o custo de capital para projetos de mineração pode subir, já que muitos são financiados por dívida.
  3. Concorrência: Países como Austrália, Canadá e Chile já estão à frente do Brasil em termos de infraestrutura e regulamentação. A Argentina, com seu lítio no triângulo do Atacama, também é uma ameaça.

Além disso, há o risco geopolítico. "Se a China retaliar os EUA restringindo exportações de outros insumos, como semicondutores, a economia global pode desacelerar, reduzindo a demanda por commodities", explica Ana Costa, economista-chefe da Guide Investimentos.


O que os investidores devem observar

Indicadores-chave para acompanhar

Para avaliar se o Project Vault trará benefícios duradouros ao Brasil, investidores devem monitorar:

  1. Produção e exportação de minerais críticos: Dados mensais do Ministério de Minas e Energia e do IBGE. Um aumento consistente nas exportações para os EUA será um sinal positivo.
  2. Investimentos em infraestrutura: Anúncios de parcerias público-privadas (PPPs) para ferrovias e portos, especialmente no Norte e Nordeste.
  3. Regulamentação: Aprovação do novo marco legal da mineração no Congresso. Sem ele, projetos podem ficar travados.
  4. Fluxo de capital estrangeiro: Dados do Banco Central sobre investimentos diretos no setor mineral. Em janeiro de 2026, o fluxo estrangeiro para o Ibovespa foi o maior desde 2006, mas ainda não está claro quanto desse capital mira commodities.
  5. Preços das commodities: Cotações de lítio, níquel e terras raras em bolsas como a LME (London Metal Exchange). Uma alta sustentada indicaria demanda real.

Na plataforma InvestAI, você pode acompanhar esses indicadores em tempo real e comparar o desempenho de ações como VALE3 e S2GM34 com seus pares globais.

Estratégias para investidores

Diante desse cenário, algumas abordagens podem ser consideradas:

  • Exposição direta: Investir em ações de empresas brasileiras ligadas a minerais críticos, como Vale, Sigma Lithium e CMOC. No entanto, é preciso analisar os fundamentos de cada empresa, como endividamento e capacidade de execução.
  • Diversificação geográfica: Considerar ETFs ou BDRs de empresas estrangeiras do setor, como a australiana Lynas Rare Earths (LYSC34) ou a canadense Lithium Americas (LACB34).
  • Proteção cambial: Como o setor é dolarizado, investidores podem buscar ativos atrelados à moeda americana, como fundos cambiais ou títulos do Tesouro Direto indexados ao dólar.
  • Fundos de infraestrutura: Fundos que investem em projetos de logística e energia, essenciais para viabilizar a exportação de minerais. Exemplos incluem o XP Infra (XPIN11) e o Kinea Infra (KNIP11).

"O Project Vault é uma janela de oportunidade, mas não uma garantia de lucro", ressalta Pedro Almeida, gestor da Absolute Investimentos. "Investidores devem manter uma carteira diversificada e não apostar todas as fichas em um único setor."


Conclusão: o Brasil está pronto para o desafio?

O Project Vault é mais do que uma reserva estratégica: é um sinal de que a geopolítica está redefinindo o mercado de commodities. Para o Brasil, o momento é de decisão. O país tem os recursos naturais, mas falta infraestrutura, agilidade regulatória e um compromisso claro com a sustentabilidade. Sem isso, corre o risco de ficar à margem de uma das maiores transformações econômicas do século XXI.

Nos próximos meses, dois desdobramentos serão cruciais:

  1. A reação da China: Pequim pode retaliar os EUA de várias formas, desde restrições a exportações até sanções a empresas americanas. Isso afetaria o comércio global e, por tabela, o Brasil.
  2. A resposta do governo brasileiro: O Ministério de Minas e Energia já sinalizou que pretende acelerar projetos de mineração, mas ainda não apresentou um plano concreto. A sociedade civil, por sua vez, pressiona por regras mais rígidas de ESG.

Para os investidores, o cenário é de cautela otimista. As oportunidades existem, mas os riscos são reais. "O Brasil pode ser um dos grandes beneficiados dessa disputa, mas precisa agir rápido", conclui Maria Silva, da XP. "Quem chegar primeiro ao mercado americano terá uma vantagem competitiva difícil de ser superada."

Enquanto isso, o Ibovespa segue volátil, refletindo as incertezas globais. Em um mundo onde a segurança do abastecimento vale mais do que o preço, o Brasil terá que provar que é mais do que um mero fornecedor de matérias-primas: é um parceiro confiável.

Por Time Invest.AI


Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. As projeções mencionadas baseiam-se em dados públicos e análises de mercado, sujeitas a mudanças.


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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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