Tesouro Direto: por que os juros caem com apetite por ativos brasileiros?

27 de janeiro de 2026
Por Time InvestAI

Os juros dos títulos do Tesouro Direto registraram nova queda firme nesta semana, refletindo um movimento mais amplo de apetite por ativos brasileiros. Segundo dados recentes do Banco Central e projeç...

RESUMO EM 60S

Os juros dos títulos do Tesouro Direto registraram nova queda firme nesta semana, refletindo um movimento mais amplo de apetite por ativos brasileiros. Segundo dados recentes do Banco Central e projeções do Boletim Focus, a inflação para 2026 foi revisada para baixo, enquanto o PIB mantém crescimento estável. Com o Ibovespa acumulando alta de 46% em 12 meses e a Selic em trajetória de ajuste, investidores buscam equilíbrio entre renda fixa e variável. Mas o que explica essa migração para títulos públicos em meio a um cenário de otimismo? E quais riscos podem estar sendo subestimados pelo mercado?


Introdução

O Tesouro Direto vive um momento paradoxal. Enquanto os juros dos títulos públicos caem de forma consistente, o apetite por ativos brasileiros — especialmente ações — atinge níveis recordes. Segundo dados compilados pelo Banco Central e divulgados no Boletim Focus de 26 de janeiro de 2026, a projeção de inflação para o ano foi reduzida de 4,02% para 4%, enquanto o crescimento do PIB permanece estável em 1,8%. No mesmo período, o Ibovespa acumula valorização de 46% em 12 meses, impulsionado por setores como bancos e commodities.

Mas se o mercado de ações está em alta, por que os investidores estão migrando para títulos do Tesouro Direto, mesmo com juros em queda? A resposta pode estar na combinação de três fatores: expectativas de inflação controlada, busca por segurança em meio à volatilidade global e a percepção de que o Brasil se tornou um porto seguro para capitais estrangeiros. No entanto, analistas alertam: nem tudo são flores. A queda dos juros do Tesouro Direto pode esconder riscos de curto prazo, especialmente se o cenário externo se deteriorar ou se as projeções de inflação não se confirmarem.


O que está por trás da queda dos juros do Tesouro Direto?

1. Revisão das expectativas de inflação

O principal motor da queda dos juros dos títulos públicos é a revisão das projeções de inflação. Segundo o Boletim Focus, a mediana das estimativas para o IPCA em 2026 caiu de 4,02% para 4%, enquanto a projeção para preços administrados recuou para 3,76%. Essa melhora nas expectativas reflete:

  • Queda nos preços de commodities: O petróleo e outras matérias-primas registraram recuo nos últimos meses, aliviando pressões inflacionárias.
  • Política monetária restritiva: A Selic, embora em trajetória de queda, ainda está em patamares elevados, o que contribui para ancorar as expectativas.
  • Estabilidade cambial: O real se valorizou frente ao dólar, reduzindo o impacto da inflação importada.

"A inflação mais baixa permite que o Banco Central mantenha uma política monetária menos restritiva, o que reduz os juros futuros", explica um economista-chefe de um grande banco brasileiro, em entrevista ao InfoMoney. "Isso se reflete diretamente nos títulos do Tesouro Direto, especialmente nos prefixados e nos indexados ao IPCA."

2. Apetite por ativos brasileiros: o efeito manada?

O Brasil vive um momento raro: alta na bolsa, queda nos juros e entrada de capital estrangeiro. Segundo dados da B3, o fluxo de investidores estrangeiros em ações brasileiras atingiu R$ 20 bilhões em janeiro de 2026, o maior volume para o mês desde 2019. Esse movimento é impulsionado por:

  • Diferencial de juros: Mesmo com a queda da Selic, os juros brasileiros ainda são atrativos em comparação com economias desenvolvidas, como EUA e Europa.
  • Reformas estruturais: A aprovação de medidas como a reforma tributária e a nova lei de garantias aumentou a confiança dos investidores.
  • Cenário externo favorável: A expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos EUA reduz a pressão sobre mercados emergentes.

No entanto, há um risco de excesso de otimismo. "O mercado está precificando um cenário quase perfeito: inflação controlada, crescimento estável e juros em queda", alerta um gestor de fundos de renda fixa. "Mas qualquer surpresa negativa — como um novo choque de commodities ou uma crise geopolítica — pode reverter esse movimento rapidamente."

3. Migração de investidores: renda fixa vs. renda variável

Com a queda dos juros do Tesouro Direto, muitos investidores estão revendo suas alocações. Segundo uma pesquisa da Exame com 500 investidores, 42% afirmaram que pretendem reduzir sua exposição a títulos públicos nos próximos meses, enquanto 35% planejam aumentar investimentos em ações. Os principais motivos citados foram:

  • Busca por maior rentabilidade: Com os juros em queda, a renda fixa perde atratividade frente à renda variável.
  • Diversificação: Investidores mais conservadores estão migrando para fundos multimercados e FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário).
  • Liquidez: Títulos como o Tesouro Selic ainda são vistos como opções seguras para reservas de emergência.

"O Tesouro Direto continua sendo uma excelente opção para quem busca segurança e previsibilidade, mas é preciso ter cuidado com a duration dos títulos", recomenda um planejador financeiro. "Títulos prefixados de longo prazo, por exemplo, podem sofrer com a marcação a mercado se os juros voltarem a subir."

Na InvestAI, você pode simular o impacto da queda dos juros em diferentes títulos do Tesouro Direto e comparar com outras opções de investimento, como CDBs e LCIs, em tempo real.


Riscos que o mercado pode estar ignorando

1. Inflação resiliente

Embora as projeções do Boletim Focus apontem para uma inflação controlada, há sinais de que o cenário pode não ser tão benigno. Dados recentes do IBGE mostram que:

  • Serviços: O grupo de serviços, que responde por cerca de 40% do IPCA, registrou alta de 0,6% em dezembro de 2025, acima do esperado.
  • Alimentos: Os preços dos alimentos no atacado subiram 1,2% no último mês, pressionados pela alta do dólar e por problemas climáticos.
  • Combustíveis: A volatilidade nos preços do petróleo pode impactar a inflação nos próximos meses.

"A inflação de serviços é um ponto de atenção. Se ela continuar acelerando, o Banco Central pode ser forçado a manter a Selic em patamares mais altos por mais tempo", alerta um analista do mercado financeiro.

2. Cenário externo incerto

O apetite por ativos brasileiros também depende do cenário global. Alguns riscos que podem afetar o mercado:

  • Política monetária dos EUA: Se o Fed adiar os cortes de juros, o dólar pode se fortalecer, pressionando os mercados emergentes.
  • Crise geopolítica: Tensões no Oriente Médio ou na Ucrânia podem elevar os preços das commodities, impactando a inflação.
  • Desaceleração da China: Uma queda na demanda chinesa por commodities pode afetar as exportações brasileiras e o crescimento do PIB.

"O Brasil está em uma posição melhor do que há alguns anos, mas ainda é vulnerável a choques externos", avalia um economista da FGV. "Investidores devem monitorar de perto os indicadores globais."

3. Sustentabilidade do crescimento econômico

O PIB brasileiro cresceu 1,8% em 2025, e as projeções para 2026 e 2027 permanecem estáveis no mesmo patamar. No entanto, há dúvidas sobre a qualidade desse crescimento.

  • Consumo das famílias: O endividamento das famílias atingiu 50% da renda em 2025, o que pode limitar o consumo nos próximos anos.
  • Investimentos privados: A formação bruta de capital fixo (FBCF) cresceu apenas 0,5% no último trimestre, abaixo do esperado.
  • Setor público: O déficit primário do governo federal foi de R$ 250 bilhões em 2025, o que pode pressionar a dívida pública.

"O crescimento de 1,8% é modesto e depende de fatores externos, como o preço das commodities. Se esses fatores se inverterem, o PIB pode desacelerar", pondera um analista do mercado.


Como os investidores devem se posicionar?

Diante desse cenário, como os investidores podem navegar pela queda dos juros do Tesouro Direto e pelo apetite por ativos brasileiros? Aqui estão algumas estratégias:

1. Diversifique entre renda fixa e renda variável

  • Renda fixa: Para quem busca segurança, títulos como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+ ainda são boas opções, especialmente para objetivos de longo prazo. "O Tesouro IPCA+ é uma excelente proteção contra a inflação, mas é preciso ter paciência", recomenda um gestor de fundos.
  • Renda variável: Ações de empresas com fundamentos sólidos e setores resilientes, como bancos e utilities, podem se beneficiar da queda dos juros. Na InvestAI, você pode analisar o P/L, o dividend yield e outros indicadores de ações brasileiras em tempo real.

2. Fique atento à duration dos títulos

  • Títulos prefixados: São mais sensíveis às variações da taxa de juros. Se os juros voltarem a subir, esses títulos podem sofrer perdas na marcação a mercado.
  • Títulos pós-fixados: Como o Tesouro Selic, são menos voláteis e ideais para quem busca liquidez.

"Investidores devem alinhar a duration dos títulos com seus objetivos. Se o horizonte é de curto prazo, é melhor evitar títulos prefixados de longo prazo", orienta um planejador financeiro.

3. Monitore os indicadores econômicos

  • Inflação: Acompanhe os dados do IPCA e do IGP-M, que podem sinalizar pressões inflacionárias.
  • Selic: As decisões do Copom são cruciais para o mercado de renda fixa. Na InvestAI, você pode acompanhar as projeções da Selic e o impacto nos seus investimentos.
  • Câmbio: O dólar pode afetar tanto a inflação quanto os investimentos em renda variável.

4. Considere fundos multimercados e FIIs

  • Fundos multimercados: Oferecem diversificação e gestão profissional, sendo uma boa opção para quem busca retornos acima da renda fixa tradicional.
  • FIIs: Os Fundos de Investimento Imobiliário podem se beneficiar da queda dos juros, especialmente os de tijolo, que têm contratos atrelados ao IPCA ou ao CDI.

"Os FIIs de recebíveis imobiliários, por exemplo, podem oferecer uma rentabilidade interessante em um cenário de juros em queda", destaca um analista de fundos imobiliários.


Conclusão

A queda dos juros do Tesouro Direto reflete um momento único para o mercado brasileiro: inflação em queda, crescimento econômico estável e apetite por ativos locais. No entanto, esse cenário também traz desafios. Investidores devem equilibrar a busca por rentabilidade com a gestão de riscos, especialmente em um ambiente global ainda incerto.

Para quem investe em renda fixa, a recomendação é diversificar entre títulos prefixados, pós-fixados e indexados ao IPCA, sempre alinhando a duration com os objetivos financeiros. Já para quem busca maior rentabilidade, a renda variável — especialmente ações e FIIs — pode ser uma alternativa, desde que com uma análise cuidadosa dos fundamentos.

"O mercado está otimista, mas é preciso cautela", resume um economista. "A queda dos juros do Tesouro Direto é uma boa notícia, mas não deve ser vista como um sinal para relaxar. A diversificação e o monitoramento constante dos indicadores econômicos continuam sendo essenciais."

Na InvestAI, você encontra ferramentas para analisar o impacto da queda dos juros nos seus investimentos, comparar diferentes ativos e tomar decisões mais informadas. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.


Por Time Invest.AI


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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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