Tarifaço de Trump: por que o mercado subestima risco ao comércio global

22 de janeiro de 2026
Por Time InvestAI

Celso Amorim, exministro das Relações Exteriores e voz influente na geopolítica brasileira, alertou em entrevista recente que o mercado subestimou o impacto do "tarifaço" proposto por Donald Trump pa...

RESUMO EM 60S

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e voz influente na geopolítica brasileira, alertou em entrevista recente que o mercado subestimou o impacto do "tarifaço" proposto por Donald Trump para um possível segundo mandato. Segundo Amorim, as medidas podem gerar um risco estrutural ao comércio global, com efeitos diretos para o Brasil — especialmente em setores como agronegócio, commodities e indústria. Enquanto o Ibovespa precifica otimismo com a queda da Selic e projeções de crescimento do PIB, analistas começam a questionar: o mercado está ignorando um fator de risco crítico? Dados recentes do Boletim Focus (BCB) mostram recuo nas expectativas de inflação para 2026, mas a incerteza externa pode reverter esse cenário rapidamente. Este artigo explora os alertas de Amorim, os setores mais expostos e como investidores podem se preparar para um cenário de maior volatilidade.


Introdução

O ano de 2026 começou com um paradoxo no mercado brasileiro. Enquanto o Ibovespa ensaia uma recuperação — impulsionado por projeções de crescimento do PIB entre 2% e 2,5% (segundo o Monitor da FGV) e pela expectativa de queda da Selic —, um alerta de Celso Amorim jogou um balde de água fria no otimismo. Em entrevista ao Valor Econômico, o ex-chanceler afirmou que o mercado subestimou o impacto do "tarifaço" proposto por Donald Trump, caso ele retorne à presidência dos EUA. Para Amorim, as medidas não são apenas uma ameaça pontual, mas um risco estrutural ao comércio global, com potencial para desestabilizar cadeias produtivas e reconfigurar fluxos de comércio.

A declaração chega em um momento delicado. O Brasil encerra 2025 com um déficit primário próximo ao limite da meta fiscal (0,23% do PIB, segundo projeções do mercado), e a União já busca "saídas" para cumprir a meta de 2026, como revelou reportagem do Valor. Enquanto isso, o Boletim Focus aponta para uma inflação em queda em 2026, mas a incerteza externa pode reverter essa trajetória. Afinal, o mercado está precificando corretamente os riscos geopolíticos, ou há uma dissonância entre as narrativas otimistas e a realidade dos fatos?


O que é o "tarifaço" e por que ele preocupa

As propostas de Trump: protecionismo em escala global

Donald Trump não esconde suas intenções. Durante a campanha para as eleições de 2024 — e agora em pré-campanha para 2026 —, o ex-presidente defendeu a imposição de tarifas de 10% a 60% sobre produtos importados pelos EUA, incluindo bens de países aliados, como México, Canadá e União Europeia. A justificativa é dupla: proteger a indústria americana e reduzir o déficit comercial do país, que atingiu US$ 951 bilhões em 2023 (dados do U.S. Census Bureau).

Para o Brasil, as implicações são diretas. Os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Em 2025, o país exportou US$ 35 bilhões para os americanos, com destaque para:

  • Agronegócio: soja, café e carnes (especialmente frango e suíno);
  • Indústria: aeronaves (Embraer), autopeças e produtos químicos;
  • Commodities: minério de ferro e petróleo.

Uma tarifa de 10% sobre esses produtos poderia reduzir a competitividade brasileira no mercado americano, pressionando margens de empresas como JBS (JBSS3), Vale (VALE3) e Embraer (EMBR3). "O mercado ainda não precificou esse risco porque acredita que Trump não conseguirá implementar as medidas na íntegra", avalia um gestor de fundos ouvido pelo Invest.AI. "Mas a história mostra que, quando o protecionismo ganha força, os efeitos são sentidos muito antes das tarifas entrarem em vigor."

O risco estrutural: cadeias globais em xeque

Amorim vai além das tarifas. Para ele, o "tarifaço" é apenas a ponta do iceberg de um movimento mais amplo: a desglobalização. Desde a pandemia, o mundo já vinha assistindo a uma reconfiguração das cadeias de suprimentos, com empresas buscando reduzir dependências de países como a China. Agora, com a possibilidade de uma guerra comercial generalizada, o cenário pode se agravar.

"O comércio global não é um jogo de soma zero", alertou Amorim. "Quando um país impõe barreiras, outros retaliam. O Brasil, que depende de exportações, pode ser pego no fogo cruzado." Um exemplo recente é a disputa entre EUA e China. Em 2024, os chineses retaliaram as tarifas americanas sobre aço e alumínio com sobretaxas em produtos agrícolas, como carne suína e frutas. O Brasil, que exporta US$ 10 bilhões anuais para a China em alimentos, poderia ser afetado indiretamente.

Além disso, há o risco de desaceleração da economia global. Se os EUA adotarem medidas protecionistas, a demanda por commodities pode cair, pressionando preços de minério de ferro, petróleo e soja. "O mercado precifica um cenário de crescimento moderado, mas não considera um choque de demanda", observa um analista do JPMorgan, que recentemente publicou um relatório otimista sobre a Bolsa brasileira. "Se o comércio global encolher, o Brasil sentirá o impacto."


Setores brasileiros mais expostos

Agronegócio: a linha de frente

O agronegócio é o setor mais vulnerável ao "tarifaço". Os EUA são o principal destino das exportações de carne bovina e frango do Brasil, além de um mercado importante para soja e café. Em 2025, o país exportou:

  • US$ 8 bilhões em carnes (bovina, suína e de frango);
  • US$ 5 bilhões em soja;
  • US$ 3 bilhões em café e açúcar.

Uma tarifa de 10% sobre esses produtos poderia reduzir as exportações em até US$ 1,6 bilhão por ano, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Empresas como JBS (JBSS3), BRF (BRFS3) e Minerva (BEEF3) seriam as mais afetadas. "O mercado ainda não precificou esse risco porque acredita que o Brasil pode redirecionar as exportações para outros mercados, como Ásia e Oriente Médio", diz um analista do BTG Pactual. "Mas a capacidade de absorção desses mercados é limitada, e a competição com outros fornecedores, como Argentina e EUA, seria acirrada."

Indústria: Embraer e autopeças na mira

A indústria brasileira também está na linha de fogo. A Embraer (EMBR3), por exemplo, exporta cerca de 30% de suas aeronaves para os EUA, seu maior mercado. Uma tarifa de 10% sobre aviões poderia reduzir as receitas da empresa em até US$ 200 milhões por ano, segundo projeções do Bank of America.

Outro setor sensível é o de autopeças. O Brasil exporta US$ 2 bilhões anuais em componentes automotivos para os EUA, principalmente para montadoras como Ford e General Motors. "As tarifas poderiam encarecer os produtos brasileiros, reduzindo a competitividade frente a fornecedores mexicanos e asiáticos", avalia um executivo do setor ouvido pelo Invest.AI.

Commodities: minério de ferro e petróleo

As commodities são menos vulneráveis a tarifas diretas, mas não estão imunes. O minério de ferro, por exemplo, é exportado principalmente para a China, mas uma desaceleração da economia global — causada por uma guerra comercial — poderia reduzir a demanda. A Vale (VALE3), maior exportadora do produto, já viu seu lucro cair 40% em 2022 devido à desaceleração chinesa.

O petróleo também pode ser afetado. Os EUA são o segundo maior importador de petróleo brasileiro, atrás apenas da China. Uma redução na demanda americana poderia pressionar os preços do barril, afetando empresas como Petrobras (PETR4) e 3R Petroleum (RRRP3). "O mercado precifica um cenário de preços estáveis, mas não considera um choque de demanda", alerta um analista da XP Investimentos.


O que o mercado está ignorando?

A dissonância entre otimismo e realidade

Enquanto o Ibovespa sobe impulsionado por projeções de crescimento do PIB e queda da Selic, há uma dissonância entre o otimismo do mercado e os riscos geopolíticos. O Boletim Focus, por exemplo, aponta para uma inflação em queda em 2026, mas não considera o impacto de uma guerra comercial. "O mercado está focado nos fundamentos domésticos, como a política monetária e fiscal, mas ignora os riscos externos", avalia um economista do Itaú Unibanco.

Outro ponto de atenção é a meta fiscal. O Brasil encerra 2025 com um déficit primário próximo ao limite da meta (0,23% do PIB), e a União já busca "saídas" para cumprir a meta de 2026, segundo reportagem do Valor. "Se o comércio global desacelerar, a arrecadação de impostos sobre exportações pode cair, pressionando ainda mais as contas públicas", observa um analista da Genial Investimentos.

O efeito dominó: como uma guerra comercial afeta o Brasil

Uma guerra comercial entre EUA e China teria efeitos em cascata para o Brasil:

  1. Desaceleração da economia global: redução da demanda por commodities, pressionando preços de minério de ferro, petróleo e soja;
  2. Retaliações: outros países poderiam impor tarifas sobre produtos brasileiros, como carne e café;
  3. Volatilidade nos mercados: aumento da aversão ao risco, com fuga de capitais de países emergentes;
  4. Pressão inflacionária: tarifas sobre importações poderiam encarecer produtos industrializados, como eletrônicos e máquinas.

"O mercado ainda não precificou esse cenário porque acredita que as tarifas não serão implementadas na íntegra", diz um gestor de fundos. "Mas a história mostra que, uma vez iniciadas, as guerras comerciais tendem a escalar."


Como os investidores podem se preparar

Diversificação: a chave para mitigar riscos

Diante da incerteza, a diversificação é a estratégia mais recomendada por analistas. "Investidores devem reduzir a exposição a setores mais vulneráveis, como agronegócio e indústria, e aumentar alocações em ativos defensivos", sugere um estrategista do Santander. Algumas opções:

  • Renda fixa: títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) ou ao CDI (LCI, LCA);
  • FIIs: fundos imobiliários com contratos atrelados ao IPCA ou com inquilinos de setores resilientes, como saúde e logística;
  • Ações defensivas: empresas de utilities (Energias do Brasil, ENEV3) ou saúde (Hapvida, HAPV3).

Setores que podem se beneficiar

Nem tudo é risco. Alguns setores podem se beneficiar de um cenário de maior protecionismo:

  • Substituição de importações: empresas que produzem localmente, como Weg (WEGE3) e Tupy (TUPY3), podem ganhar mercado;
  • Exportadores para outros mercados: empresas que vendem para Ásia, Oriente Médio ou África podem redirecionar suas vendas;
  • Commodities agrícolas: se a China retaliar os EUA, o Brasil pode aumentar as exportações de soja e carne para o país asiático.

Ferramentas para monitorar o cenário

Para acompanhar os desdobramentos do "tarifaço" e seus impactos no mercado brasileiro, investidores podem usar ferramentas como:

  • InvestAI: plataforma que oferece análises em tempo real de indicadores macroeconômicos e setoriais;
  • Boletim Focus (BCB): projeções atualizadas do mercado para inflação, PIB e Selic;
  • Relatórios de bancos: análises de instituições como JPMorgan, XP Investimentos e BTG Pactual.

"O cenário exige cautela, mas também oportunidades", avalia um analista da Guide Investimentos. "Investidores que souberem se posicionar podem aproveitar a volatilidade para comprar ativos de qualidade a preços atrativos."


Conclusão

O alerta de Celso Amorim sobre o "tarifaço" de Trump não é apenas um ruído geopolítico. É um risco estrutural que o mercado brasileiro ainda não precificou adequadamente. Enquanto o Ibovespa sobe impulsionado por projeções de crescimento do PIB e queda da Selic, os investidores parecem ignorar os sinais de uma possível guerra comercial, que poderia desestabilizar cadeias globais e pressionar setores-chave da economia brasileira, como agronegócio, indústria e commodities.

A dissonância entre o otimismo do mercado e os riscos externos é preocupante. O Brasil encerra 2025 com um déficit fiscal próximo ao limite da meta, e uma desaceleração do comércio global poderia agravar ainda mais as contas públicas. "O mercado está focado nos fundamentos domésticos, mas os riscos externos são reais e podem reverter rapidamente o cenário", alerta um economista do Itaú.

Para os investidores, a mensagem é clara: diversificar é essencial. Reduzir exposição a setores vulneráveis, aumentar alocações em ativos defensivos e monitorar de perto os desdobramentos geopolíticos são passos fundamentais para navegar em um cenário de maior volatilidade. Ferramentas como o InvestAI podem ajudar a acompanhar indicadores em tempo real e tomar decisões mais informadas.

Em um mundo onde a geopolítica se torna cada vez mais relevante para os mercados, ignorar os alertas de figuras como Celso Amorim pode ser um erro caro. O "tarifaço" não é uma ameaça distante — é um risco concreto que exige atenção e preparo.


Por Time Invest.AI

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