Selic em março: o que o mercado ainda não precificou no ciclo de cortes

4 de fevereiro de 2026
Por Time InvestAI

O mercado já dá como certo o início do corte de juros pelo Banco Central em março, mas o ritmo da flexibilização monetária permanece uma incógnita. Enquanto o Ibovespa atinge patamares históricos acim...

RESUMO EM 60S

O mercado já dá como certo o início do corte de juros pelo Banco Central em março, mas o ritmo da flexibilização monetária permanece uma incógnita. Enquanto o Ibovespa atinge patamares históricos acima de 187 mil pontos, economistas alertam: os próximos passos dependerão de uma combinação delicada entre inflação, atividade econômica e riscos fiscais. O consenso atual aponta para uma Selic em torno de 9% ao final do ano, mas projeções divergentes sugerem que o cenário pode ser mais volátil do que o esperado. Este artigo explora os fatores que podem acelerar ou frear o ciclo de cortes — e como investidores devem se posicionar diante de um cenário ainda incerto.

Introdução

O otimismo com o início do ciclo de cortes da Selic em março tem impulsionado o mercado brasileiro, mas por trás da euforia há uma pergunta crucial: o que acontecerá depois do primeiro corte? A resposta não é simples. Enquanto alguns economistas projetam uma queda gradual e previsível, outros enxergam riscos que podem forçar o Comitê de Política Monetária (Copom) a pisar no freio. A recente alta do Ibovespa, que superou os 187 mil pontos, reflete a expectativa de juros mais baixos, mas também mascara divergências sobre o ritmo da flexibilização. Afinal, o que o mercado ainda não precificou nesse cenário?

O consenso e suas fissuras

De acordo com o Boletim Focus, a mediana das projeções aponta para uma Selic em 9% ao final de 2026, partindo dos atuais 11,75%. A maioria dos economistas consultados pela InfoMoney concorda que o ciclo começará em março, com um corte inicial de 0,25 ou 0,50 ponto percentual. No entanto, há nuances importantes. "O ritmo dependerá dos dados", afirmou um diretor de uma grande instituição financeira, ecoando um discurso cauteloso que tem ganhado força em Brasília.

As fissuras no consenso aparecem quando se analisa o que pode desviar o Copom de sua trajetória. Três fatores são centrais:

  1. Inflação persistente: Embora o IPCA tenha mostrado sinais de arrefecimento, núcleos de inflação — como serviços e alimentos — ainda preocupam. Um choque de preços, como o observado em 2022, poderia forçar o BC a rever seus planos.

  2. Atividade econômica: O PIB brasileiro cresceu 1,8% em 2025, segundo o Focus, mas há sinais de desaceleração em setores-chave, como indústria e varejo. Se a economia der sinais de superaquecimento, o BC pode optar por cortes mais lentos.

  3. Riscos fiscais: A dívida pública brasileira segue em patamares elevados, e o mercado monitora de perto as contas do governo. Qualquer sinal de descontrole fiscal poderia levar a uma reprecificação dos ativos, pressionando o BC a manter juros mais altos por mais tempo.

O que o mercado ainda não precificou?

Fatores de Risco para o Ciclo de Cortes da Selic
Principais fatores que podem influenciar o ritmo de cortes da Selic, segundo o texto.

Enquanto o Ibovespa celebra a perspectiva de juros mais baixos, há elementos que podem surpreender os investidores:

  • Volatilidade global: O anúncio do Project Vault pelo governo dos EUA, uma reserva estratégica de minerais para reduzir a dependência da China, já começa a reverberar nos mercados. Commodities como minério de ferro e cobre, essenciais para a economia brasileira, podem enfrentar oscilações bruscas, impactando a inflação e, consequentemente, a política monetária.

  • Fluxo de capital estrangeiro: O ingresso de recursos externos tem sido um dos principais motores do Ibovespa, mas esse fluxo não é garantido. Uma mudança na política monetária dos EUA, por exemplo, poderia redirecionar investimentos para ativos americanos, pressionando o real e limitando o espaço para cortes da Selic.

  • Pressão salarial: O reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, com alta de 6,79%, pode ter efeitos colaterais. Embora o impacto direto na inflação seja limitado, há o risco de um efeito cascata em outros salários, especialmente em setores com baixa produtividade. Isso poderia alimentar uma espiral inflacionária, forçando o BC a ser mais cauteloso.

Como os investidores devem se posicionar?

Diante de um cenário ainda incerto, especialistas recomendam uma abordagem equilibrada, com foco em ativos que se beneficiem tanto de juros mais baixos quanto de uma eventual volatilidade. Algumas estratégias em destaque:

Renda fixa: a hora de alongar prazos?

Com a perspectiva de cortes na Selic, títulos prefixados e indexados à inflação (NTN-B) ganham atratividade. "Investidores que buscam proteção contra a inflação podem encontrar oportunidades em papéis com vencimentos mais longos", avalia um gestor de renda fixa. No entanto, é preciso cautela: se o ciclo de cortes for mais lento do que o esperado, títulos de curto prazo podem oferecer maior flexibilidade.

Na plataforma InvestAI, é possível comparar a rentabilidade de diferentes títulos públicos e privados, ajustando prazos e indexadores para encontrar a melhor relação risco-retorno.

Ações: setores sensíveis aos juros em foco

Setores como construção civil, varejo e bancos tendem a se beneficiar de um ambiente de juros mais baixos. No entanto, a seletividade é fundamental. "Empresas com balanços sólidos e baixa alavancagem devem se destacar", aponta um analista de ações. O caso da Fictor Alimentos, que pediu recuperação judicial após uma queda de 33% em suas ações, serve como alerta: mesmo em um cenário de juros menores, a saúde financeira das empresas não pode ser ignorada.

Para identificar oportunidades, investidores podem utilizar ferramentas como o screener de ações da InvestAI, que permite filtrar empresas por indicadores como P/L, dívida líquida/EBITDA e margens de lucro.

Fundos imobiliários: janela de oportunidade?

Os FIIs têm sido um dos principais beneficiados da queda dos juros, já que seus rendimentos se tornam mais atrativos em comparação com a renda fixa. No entanto, é preciso avaliar a qualidade dos ativos subjacentes. "Fundos com imóveis bem localizados e contratos de locação atrelados à inflação tendem a performar melhor", explica um gestor de FIIs. Além disso, fundos de recebíveis (FIIs de CRIs) podem se beneficiar de um cenário de juros em queda, desde que a inadimplência se mantenha sob controle.

Na InvestAI, é possível analisar o histórico de dividendos, vacância e rentabilidade dos principais FIIs do mercado, facilitando a tomada de decisão.

Os riscos que podem mudar o jogo

Apesar do otimismo, há riscos que podem alterar drasticamente o cenário:

  • Choque externo: Uma escalada nas tensões geopolíticas, como um conflito envolvendo Taiwan ou o Oriente Médio, poderia levar a um aumento global dos juros, pressionando o BC a ser mais cauteloso.

  • Desancoragem das expectativas: Se o mercado começar a duvidar da capacidade do BC de controlar a inflação, as expectativas podem se desancorar, levando a uma alta nos juros futuros e impactando negativamente os ativos de risco.

  • Mudança na comunicação do BC: O Copom tem sido cuidadoso em sua comunicação, mas qualquer sinal de mudança de tom — como uma indicação de que os cortes serão mais lentos — pode gerar volatilidade.

Conclusão

O início do ciclo de cortes da Selic em março é uma notícia positiva para o mercado, mas o caminho à frente está longe de ser linear. Enquanto o Ibovespa atinge novos recordes, investidores devem manter os pés no chão: o ritmo dos cortes dependerá de uma série de fatores, muitos deles fora do controle do Banco Central. A recomendação dos especialistas é clara: diversifique, mantenha-se informado e esteja preparado para ajustar sua estratégia conforme novos dados surgirem.

Em um cenário de incertezas, ferramentas como as oferecidas pela InvestAI podem ser valiosas. Ao monitorar indicadores macroeconômicos, analisar ativos em tempo real e comparar diferentes estratégias, investidores têm mais chances de navegar com sucesso pelas águas turbulentas do mercado brasileiro.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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