Sabesp a R$ 180: BofA enxerga janela de oportunidade no saneamento
RESUMO EM 60S O Banco of America BofA surpreendeu o mercado ao elevar o preçoalvo das ações da Sabesp SBSP3 para R$ 180, citando redução de riscos regulatórios e um cenário macroeconômico mais fav...
RESUMO EM 60S
O Banco of America (BofA) surpreendeu o mercado ao elevar o preço-alvo das ações da Sabesp (SBSP3) para R$ 180, citando redução de riscos regulatórios e um cenário macroeconômico mais favorável. A decisão, divulgada em fevereiro de 2026, reflete uma mudança de percepção sobre o setor de saneamento no Brasil, após anos de incertezas sobre marcos regulatórios e privatizações. Enquanto analistas debatem se o novo valuation é otimista demais, investidores avaliam se a Sabesp pode, de fato, entregar o crescimento projetado em um setor historicamente volátil. O movimento do BofA também levanta questões: será que o mercado está subestimando o potencial das empresas de saneamento, ou há riscos ocultos que ainda não foram precificados?
Introdução
O setor de saneamento básico no Brasil sempre foi um terreno minado para investidores. Entre marcos regulatórios instáveis, disputas políticas e desafios operacionais, empresas como a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) navegaram por anos em águas turbulentas. No entanto, um relatório recente do Banco of America (BofA) trouxe um sopro de otimismo: o banco elevou o preço-alvo das ações da Sabesp para R$ 180, um salto expressivo em relação às estimativas anteriores, e destacou a redução de riscos regulatórios como um dos principais catalisadores.
A decisão do BofA não apenas reacendeu o debate sobre o valuation da Sabesp, mas também colocou em xeque a percepção do mercado sobre o setor como um todo. Afinal, o que mudou? E, mais importante, o que os investidores podem estar deixando de enxergar?
O que motivou o BofA a elevar o preço-alvo da Sabesp?
Segundo o relatório do BofA, divulgado em 12 de fevereiro de 2026, três fatores principais justificam a revisão do preço-alvo da Sabesp:
Redução do risco regulatório: Após anos de incertezas sobre o marco regulatório do saneamento, o mercado parece ter encontrado um equilíbrio. A Lei nº 14.026/2020, que estabeleceu metas de universalização dos serviços até 2033, trouxe mais clareza para o setor, ainda que desafios persistam. O BofA avalia que a Sabesp, como uma das maiores empresas do setor, está bem posicionada para se beneficiar desse ambiente mais previsível.
Melhora no cenário macroeconômico: Com o governo brasileiro projetando um crescimento do PIB de 2,3% e uma inflação (IPCA) de 3,6% para 2026, o ambiente macroeconômico se tornou mais favorável para empresas com receitas atreladas a contratos de longo prazo, como é o caso da Sabesp. A estabilidade econômica reduz o risco de inadimplência e aumenta a confiança dos investidores.
Eficiência operacional e expansão: A Sabesp tem demonstrado melhorias em sua eficiência operacional, com redução de perdas de água e aumento da cobertura de serviços. Além disso, a empresa tem expandido sua atuação para além do estado de São Paulo, o que pode impulsionar seu crescimento nos próximos anos. O BofA destacou que a Sabesp está bem posicionada para capturar oportunidades em um mercado que ainda tem um déficit significativo de saneamento básico no país.
Um olhar crítico sobre o valuation
Embora o BofA tenha elevado o preço-alvo para R$ 180, é importante questionar se esse valuation é realista. Atualmente, as ações da Sabesp (SBSP3) são negociadas em patamares inferiores a esse alvo, o que sugere que o mercado ainda não precificou totalmente os fatores apontados pelo banco.
Para contextualizar, o preço-alvo anterior do BofA para a Sabesp era de R$ 140, o que já representava um potencial de alta significativo. A nova projeção de R$ 180 implica um upside de aproximadamente 30% em relação aos níveis atuais. No entanto, analistas independentes alertam que o setor de saneamento ainda enfrenta desafios estruturais, como:
Dependência de políticas públicas: Embora o marco regulatório tenha trazido mais clareza, o setor ainda depende de decisões políticas para sua expansão. Mudanças de governo ou prioridades podem impactar os planos de investimento das empresas.
Riscos de execução: A Sabesp precisa cumprir metas ambiciosas de universalização dos serviços até 2033. Atrasos ou dificuldades operacionais podem comprometer o crescimento projetado.
Concorrência e privatizações: O setor de saneamento tem atraído o interesse de players privados, o que pode aumentar a concorrência e pressionar as margens da Sabesp.
O que o mercado está ignorando?
Enquanto o BofA destaca os aspectos positivos, há nuances que podem estar sendo subestimadas pelo mercado:
1. **O impacto das redes sociais e da opinião pública**
Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram um termômetro importante para empresas de infraestrutura, especialmente aquelas que prestam serviços essenciais, como água e esgoto. A Sabesp, por exemplo, tem sido alvo frequente de críticas em plataformas como X (antigo Twitter) e Instagram, seja por aumentos de tarifas, interrupções no fornecimento ou questões ambientais.
Em 2025, a empresa enfrentou uma crise de imagem após um vazamento de esgoto em uma região nobre de São Paulo, que gerou uma onda de indignação nas redes. Embora o episódio não tenha tido impacto direto nos resultados financeiros, ele serviu como um lembrete de que a reputação é um ativo frágil em um setor tão sensível.
2. **A comparação com outros players do setor**

- Projeção de Crescimento do PIB e Inflação (IPCA) para 2026*
A Sabesp não é a única empresa de saneamento no radar dos investidores. A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), por exemplo, também tem se destacado por sua eficiência operacional e expansão. Em 2026, a Copasa anunciou planos de investir R$ 10 bilhões até 2030, com foco em redução de perdas e ampliação da cobertura.
Além disso, empresas privadas, como a Aegea e a Iguá Saneamento, têm ganhado espaço no mercado, especialmente em regiões onde a presença do Estado é menor. Essas empresas podem representar uma ameaça competitiva à Sabesp no longo prazo, especialmente se o movimento de privatizações no setor ganhar força.
3. **O papel do México e da América Latina**
Embora o foco do BofA esteja no mercado brasileiro, é importante considerar o contexto regional. O México, por exemplo, tem avançado em seu marco regulatório de saneamento, atraindo investimentos estrangeiros. Empresas brasileiras, como a Sabesp, poderiam explorar oportunidades de expansão na América Latina, mas isso exigiria um apetite maior por risco e uma estratégia clara de internacionalização.
O FMI, em seu relatório mais recente, destacou que a América Latina deve crescer 2,2% em 2026, com uma recuperação para 2,7% em 2027. No entanto, o Brasil não teve suas projeções detalhadas, o que deixa espaço para especulações sobre o desempenho da economia local e seu impacto no setor de saneamento.
Como os investidores devem avaliar a Sabesp?
Diante do novo preço-alvo do BofA, investidores devem considerar alguns pontos antes de tomar decisões:
1. **Análise fundamentalista: métricas que importam**
Para avaliar se a Sabesp está subvalorizada ou sobrevalorizada, é essencial analisar algumas métricas fundamentais:
P/L (Preço/Lucro): O múltiplo P/L da Sabesp tem oscilado entre 10x e 15x nos últimos anos, refletindo a percepção de um setor estável, mas com crescimento limitado. Comparado a outras empresas de infraestrutura, como a Eletrobras (ELET3), que tem um P/L médio de 8x, a Sabesp pode parecer cara. No entanto, é importante considerar o potencial de crescimento do setor de saneamento, que ainda tem um déficit significativo no Brasil.
Dividend Yield: A Sabesp tem um histórico de distribuição de dividendos consistente, com um dividend yield médio de 5% a 7%. Para investidores que buscam renda passiva, essa pode ser uma métrica atrativa. No entanto, é preciso avaliar se a empresa conseguirá manter esse patamar em um cenário de investimentos crescentes para cumprir as metas de universalização.
Dívida líquida/EBITDA: A alavancagem da Sabesp é um ponto de atenção. Em 2025, a relação dívida líquida/EBITDA estava em torno de 3,5x, um nível considerado alto para o setor. Embora a empresa tenha melhorado sua geração de caixa, a necessidade de investimentos pesados para expandir sua infraestrutura pode pressionar ainda mais esse indicador.
Na plataforma InvestAI, você pode acompanhar essas métricas em tempo real e compará-las com outras empresas do setor, como a Copasa e a Sanepar.
2. **Análise técnica: o que os gráficos dizem?**
Do ponto de vista técnico, as ações da Sabesp (SBSP3) têm apresentado uma tendência de alta desde o início de 2026, impulsionadas por notícias positivas sobre o setor e resultados financeiros sólidos. No entanto, alguns indicadores sugerem cautela:
RSI (Índice de Força Relativa): O RSI da Sabesp tem oscilado em torno de 60, o que indica um mercado em tendência de alta, mas não sobrecomprado. Isso sugere que ainda há espaço para valorização, mas investidores devem ficar atentos a sinais de exaustão.
Médias móveis: As ações da Sabesp têm se mantido acima das médias móveis de 50 e 200 dias, um sinal positivo para os investidores de longo prazo. No entanto, uma eventual ruptura abaixo da média de 50 dias poderia indicar uma reversão de tendência.
Volume de negociação: O volume de negociação das ações da Sabesp tem aumentado nos últimos meses, o que pode indicar um interesse crescente dos investidores. No entanto, é importante monitorar se esse volume se sustenta, especialmente em momentos de correção.
Para acompanhar esses indicadores em tempo real, a plataforma InvestAI oferece ferramentas avançadas de análise técnica, permitindo que você identifique padrões e tome decisões mais informadas.
3. **Cenários alternativos: o que pode dar errado?**
Embora o BofA tenha apresentado um cenário otimista, é importante considerar hipóteses alternativas que poderiam impactar negativamente a Sabesp:
Atraso nas metas de universalização: A Sabesp tem um cronograma ambicioso para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Atrasos nesse cronograma poderiam levar a multas regulatórias e prejudicar a reputação da empresa.
Mudanças no marco regulatório: Embora o marco regulatório atual tenha trazido mais clareza, ele não está imune a mudanças. Uma eventual revisão das regras poderia impactar as receitas e a rentabilidade da Sabesp.
Crise hídrica: O Brasil tem enfrentado crises hídricas recorrentes, que podem afetar a capacidade da Sabesp de fornecer serviços de forma contínua. Em 2025, por exemplo, a empresa precisou adotar medidas emergenciais para garantir o abastecimento em São Paulo, o que gerou custos adicionais.
Pressão por privatização: O governo de São Paulo tem sinalizado interesse em privatizar a Sabesp, o que poderia atrair investidores privados, mas também gerar incertezas sobre o futuro da empresa.