Itaú antecipa corte da Selic para março: o que muda no mercado?

24 de janeiro de 2026
Por Time InvestAI

O Itaú Unibanco surpreendeu o mercado ao antecipar sua projeção para o início do corte da taxa Selic de maio para março de 2026, segundo relatório divulgado nesta quintafeira (23). A mudança refl...

RESUMO EM 60S

O Itaú Unibanco surpreendeu o mercado ao antecipar sua projeção para o início do corte da taxa Selic de maio para março de 2026, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (23). A mudança reflete uma combinação de fatores: desaceleração da inflação, sinais de arrefecimento no mercado de trabalho e um novo alerta fiscal do banco, que destaca riscos crescentes para as contas públicas. Enquanto o Ibovespa opera próximo dos 170 mil pontos — com projeções otimistas do Morgan Stanley apontando alta de até 46% —, a decisão do Itaú levanta questões: o mercado está precificando corretamente os riscos fiscais? E como investidores devem se posicionar em um cenário de juros em queda, mas com incertezas macroeconômicas? Este artigo analisa os impactos da revisão do Itaú, os sinais contraditórios da economia brasileira e as oportunidades (e armadilhas) para diferentes classes de ativos.


Introdução

O mercado financeiro brasileiro vive um momento de dualidade. De um lado, o Ibovespa acumula alta de 12% no ano, impulsionado por expectativas de queda de juros e resultados corporativos acima do esperado. De outro, o risco fiscal — um fantasma que parecia adormecido — volta a assombrar analistas. Nesta quinta-feira (23), o Itaú Unibanco adicionou mais uma camada de complexidade ao cenário: o banco revisou sua projeção para o início do ciclo de cortes da Selic, antecipando-o de maio para março de 2026, e reforçou preocupações com a trajetória das contas públicas.

A mudança não é trivial. O Itaú é uma das instituições mais influentes do mercado brasileiro, e suas projeções costumam balizar decisões de investidores institucionais e varejistas. Mas o que está por trás dessa revisão? E por que, mesmo com a perspectiva de juros mais baixos, o banco faz um alerta fiscal? Para entender as implicações, é preciso dissecar três frentes:

  1. Os fundamentos por trás da antecipação da Selic: inflação, atividade econômica e sinais do Banco Central.
  2. O paradoxo fiscal: por que o mercado parece ignorar os riscos das contas públicas?
  3. Impactos práticos: como diferentes ativos (ações, renda fixa, FIIs) podem reagir a esse novo cenário.

Por que o Itaú antecipou o corte da Selic?

A decisão do Itaú de antecipar o início do ciclo de cortes da Selic para março de 2026 não veio do acaso. Segundo o relatório do banco, três fatores principais embasam a revisão:

1. Desaceleração da inflação

Os últimos dados de inflação surpreenderam positivamente. O IPCA de dezembro registrou variação de 0,33%, abaixo das expectativas do mercado, e o acumulado em 12 meses caiu para 4,2%, dentro da meta do Banco Central (4,5% para 2026). O Itaú destaca que:

  • Serviços subjacentes (um dos componentes mais resistentes da inflação) mostram sinais de arrefecimento, refletindo a desaceleração do mercado de trabalho.
  • Preços de commodities em reais seguem comportados, apesar da recente alta do petróleo — que, segundo analistas, pode ser temporária (veja análise sobre o tema).
  • Expectativas de inflação para 2026, medidas pelo Focus, recuaram para 3,8%, abaixo do centro da meta.

"A inflação está convergindo para a meta mais rápido do que o esperado", afirma o relatório do Itaú. "Isso dá espaço para o Banco Central iniciar o ciclo de cortes mais cedo."

2. Sinais de desaceleração da economia

O Monitor da FGV, divulgado em janeiro, apontou alta na atividade econômica em novembro, mas os dados mais recentes sugerem perda de fôlego. O Itaú destaca:

  • Mercado de trabalho: a taxa de desemprego subiu para 8,5% em dezembro, acima das projeções, e o crescimento dos salários reais desacelerou.
  • Consumo das famílias: as vendas no varejo cresceram 1,2% em novembro, mas o ritmo é inferior ao observado no primeiro semestre de 2025.
  • Investimentos: a formação bruta de capital fixo (FBCF) recuou 0,5% no terceiro trimestre, sinalizando cautela do setor privado.

"A economia está crescendo, mas em ritmo moderado", avalia o banco. "Isso reduz a pressão inflacionária e permite que o BC adote uma postura mais flexível."

3. Comunicação do Banco Central

O Itaú também leva em conta a sinalização do Copom (Comitê de Política Monetária). Na última ata, divulgada em dezembro, o BC adotou um tom mais dovish (inclinado a cortes), destacando que:

  • A ancoragem das expectativas de inflação permite uma postura menos restritiva.
  • O hiato do produto (diferença entre o PIB real e o potencial) segue negativo, indicando ociosidade na economia.
  • Os riscos fiscais, embora presentes, não justificam uma postura mais dura no curto prazo.

"O BC está preparando o mercado para um ciclo de cortes", afirma o relatório. "A antecipação para março reflete essa leitura."


O alerta fiscal: o elefante na sala

Apesar do otimismo com a Selic, o Itaú fez questão de reforçar um alerta fiscal em seu relatório. Segundo o banco, os riscos para as contas públicas aumentaram nos últimos meses, e o mercado pode estar subestimando esse fator. As principais preocupações:

1. Déficit primário acima do esperado

O governo encerrou 2025 com um déficit primário de 1,2% do PIB, acima da meta de 0,5%. Para 2026, a projeção oficial é de superávit de 0,5%, mas o Itaú vê esse número com ceticismo:

  • Receitas em desaceleração: a arrecadação federal cresceu 3,5% em 2025, abaixo da inflação, refletindo a desaceleração da economia.
  • Gastos obrigatórios em alta: despesas com Previdência e pessoal seguem pressionando o Orçamento.
  • Riscos de contingenciamento: o governo já sinalizou que pode contingenciar R$ 20 bilhões em 2026, mas analistas duvidam da eficácia da medida.

"O cenário fiscal é desafiador", alerta o Itaú. "Se o governo não entregar o superávit prometido, a dívida pública pode voltar a subir, pressionando os juros de longo prazo."

2. Dívida pública em trajetória preocupante

A dívida bruta do governo geral fechou 2025 em 75,3% do PIB, acima da projeção inicial de 74%. Para 2026, o Itaú projeta que a dívida pode ultrapassar 77% do PIB, caso o governo não cumpra a meta fiscal. Os riscos:

  • Juros reais elevados: mesmo com a queda da Selic, os juros reais (descontada a inflação) seguem altos, aumentando o custo da dívida.
  • Câmbio volátil: a recente alta do dólar (que atingiu R$ 5,10 nesta semana) reflete preocupações com o fiscal e pode pressionar ainda mais a dívida.
  • Perda de confiança: investidores estrangeiros têm reduzido a exposição a títulos brasileiros, sinalizando desconfiança com a trajetória fiscal.

3. O mercado está ignorando o fiscal?

Enquanto o Ibovespa opera em patamares recordes e o Morgan Stanley projeta alta de até 46% para o índice em 2026, o Itaú questiona se o mercado está precificando corretamente os riscos fiscais. "Há uma dissonância entre o otimismo com as ações e a realidade das contas públicas", afirma o relatório.

Alguns sinais de alerta:

  • Spreads de crédito: os prêmios de risco dos títulos corporativos brasileiros têm subido, refletindo maior aversão ao risco.
  • Fluxo de estrangeiros: investidores internacionais reduziram suas posições em R$ 15 bilhões em ações brasileiras em 2025.
  • Ações de estatais: papéis como Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) têm desempenho inferior ao Ibovespa, sinalizando desconfiança com o setor público.

"O mercado pode estar subestimando o impacto do fiscal na economia", alerta o Itaú. "Se as contas públicas piorarem, o BC pode ser forçado a manter a Selic mais alta por mais tempo."


Impactos no mercado: como se posicionar?

Com a antecipação do corte da Selic e o alerta fiscal do Itaú, investidores precisam reavaliar suas estratégias. Veja como diferentes classes de ativos podem ser afetadas:

1. Renda fixa: janela de oportunidade?

A antecipação do corte da Selic abre uma janela de oportunidade para investidores de renda fixa. Com os juros ainda em patamares elevados (a Selic está em 11,75% ao ano), títulos prefixados e indexados ao IPCA podem se beneficiar:

  • Tesouro Prefixado: títulos como o Tesouro Prefixado 2029 oferecem taxas atrativas (acima de 10% ao ano). Com a queda da Selic, esses papéis tendem a se valorizar.
  • Tesouro IPCA+: títulos como o Tesouro IPCA+ 2035 protegem contra a inflação e podem se beneficiar da queda dos juros reais.
  • CDBs e LCIs: bancos têm oferecido taxas competitivas (acima de 110% do CDI) para prazos mais longos. Vale a pena comparar as opções na InvestAI antes de investir.

Risco: se o fiscal piorar, os juros de longo prazo podem subir, reduzindo o valor dos títulos prefixados. "Investidores devem diversificar entre prefixados e indexados", recomenda o Itaú.

2. Ações: setores que podem se beneficiar

A queda da Selic tende a impulsionar o mercado acionário, mas o alerta fiscal do Itaú sugere cautela. Alguns setores podem se beneficiar mais:

  • Bancos: instituições como Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) tendem a se beneficiar da queda dos juros, que reduz a inadimplência e estimula o crédito.
  • Varejo: empresas como Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) podem se recuperar com o aumento do consumo.
  • Infraestrutura: ações de concessões (como Ecorodovias (ECOR3)) podem se valorizar com a queda dos juros de longo prazo.

Risco: se o fiscal piorar, o Ibovespa pode sofrer correções. "Investidores devem focar em empresas com fundamentos sólidos e baixa exposição ao risco fiscal", sugere o Itaú. Na InvestAI, você pode analisar o P/L e o ROE dessas empresas em tempo real.

3. Fundos Imobiliários (FIIs): retomada ou armadilha?

Os FIIs são sensíveis à queda dos juros, mas o alerta fiscal do Itaú levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do rali recente. Alguns pontos a considerar:

  • FIIs de tijolo: fundos como XPML11 (shopping centers) e HGLG11 (logística) podem se beneficiar da retomada do consumo e da queda dos juros.
  • FIIs de papel: fundos como KNCR11 (CRIs) e RBRY11 (LCIs) oferecem rendimentos atrativos, mas podem sofrer com a alta dos spreads de crédito.
  • Vacância: a taxa de vacância em imóveis comerciais segue elevada (acima de 20% em algumas regiões), o que pode limitar a valorização dos FIIs.

"Os FIIs podem ter um bom desempenho em 2026, mas investidores devem evitar fundos com alta alavancagem ou exposição a setores cíclicos", alerta o Itaú. Na InvestAI, você pode comparar o dividend yield e a vacância dos principais FIIs do mercado.

4. Câmbio: dólar pode voltar a subir?

O real tem se beneficiado da expectativa de queda dos juros nos EUA, mas o alerta fiscal do Itaú pode reverter essa tendência. Alguns fatores a monitorar:

  • Diferencial de juros: se o Fed cortar os juros mais rápido do que o esperado, o dólar pode se enfraquecer frente ao real.
  • Risco fiscal: se as contas públicas piorarem, o dólar pode voltar a subir, pressionando a inflação e os juros.
  • Fluxo de capitais: investidores estrangeiros têm reduzido suas posições no Brasil, o que pode enfraquecer o real.

"O câmbio é um dos termômetros do risco fiscal", afirma o Itaú. "Se o governo não entregar o superávit prometido, o dólar pode voltar a R$ 5,30 ou mais."


Conclusão: equilíbrio entre otimismo e cautela

A antecipação do corte da Selic pelo Itaú é uma boa notícia para o mercado, mas o alerta fiscal do banco serve como um lembrete: a economia brasileira ainda enfrenta desafios estruturais. Enquanto o Ibovespa opera em patamares recordes e analistas projetam altas expressivas, é preciso manter os pés no chão.

Para investidores, o cenário sugere:

  1. Diversificação: distribua seus investimentos entre renda fixa, ações e FIIs, de acordo com seu perfil de risco.
  2. Foco em fundamentos: em um ambiente de incertezas fiscais, empresas com balanços sólidos e baixa exposição ao risco público tendem a performar melhor.
  3. Atenção ao fiscal: monitore os indicadores de dívida pública e déficit primário. Se as contas piorarem, o mercado pode sofrer correções.
  4. Oportunidades na renda fixa: com a Selic ainda alta, títulos prefixados e indexados ao IPCA oferecem retornos atrativos.

O mercado brasileiro vive um momento de transição. De um lado, a queda dos juros abre espaço para a retomada do crescimento. De outro, o risco fiscal pode limitar os ganhos. "O equilíbrio entre otimismo e cautela será a chave para navegar 2026", conclui o Itaú.

Na InvestAI, você encontra ferramentas para analisar esses cenários em tempo real, como:

  • Comparador de títulos de renda fixa (Tesouro, CDBs, LCIs).
  • Análise fundamentalista de ações (P/L, ROE, dívida líquida).
  • Monitor de FIIs (dividend yield, vacância, alavancagem).

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.


Por Time Invest.AI


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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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