Haddad Projeta Déficit de 0,1% do Pib em 2025: Impactos no Mercado
Em janeiro de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou a estimativa de um déficit primário de 0,1% do PIB para o governo central em 2025, sinaliz...
Introdução
Em janeiro de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou a estimativa de um déficit primário de 0,1% do PIB para o governo central em 2025, sinalizando um esforço contínuo para equilibrar as contas públicas em meio a um cenário econômico desafiador. A projeção, divulgada em meio a revisões de crescimento do PIB e pressões inflacionárias, tem gerado debates entre investidores sobre os impactos no mercado financeiro brasileiro, especialmente em ativos como ações, FIIs e renda fixa.
Com o Banco Mundial reduzindo a projeção de crescimento do PIB do Brasil para 2% em 2026 (Valor.Globo.Com, 2026-01-14) e o setor de serviços exercendo pressões inflacionárias (IBGE, 2026), a trajetória fiscal do país se torna um termômetro para a confiança dos investidores. Neste artigo, analisamos os desdobramentos dessa projeção, suas implicações para o Ibovespa, a Selic e os investimentos em geral, além de oferecer recomendações práticas para navegar nesse cenário.
O que significa um déficit primário de 0,1% do PIB?
O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam suas receitas, excluindo os juros da dívida pública. Em 2025, a estimativa de Haddad aponta para um rombo de aproximadamente R$ 12 bilhões (considerando um PIB nominal projetado em R$ 12 trilhões para o ano). Embora seja um valor relativamente baixo em termos percentuais, o dado reflete:
- Esforço fiscal: O governo busca cumprir a meta de déficit zero estabelecida para 2025, mesmo com desafios como a revisão das despesas obrigatórias e a queda na arrecadação em alguns setores.
- Pressão sobre a dívida pública: Mesmo com déficit primário controlado, a dívida bruta do governo geral (que inclui juros) deve continuar elevada, próxima a 75% do PIB em 2026, segundo projeções do Banco Central (BCB, 2026).
- Sinalização para o mercado: A manutenção da meta fiscal, mesmo que ajustada, é vista como um compromisso com a responsabilidade fiscal, um fator crucial para a avaliação de risco-país e o custo de captação do governo.
Comparação com anos anteriores
Para contextualizar, o Brasil registrou:
- 2023: Superávit primário de 0,1% do PIB (primeiro resultado positivo desde 2013).
- 2024: Déficit primário de 0,5% do PIB (revisado pelo Tesouro Nacional).
- 2025: Déficit de 0,1% do PIB (estimativa atual).
A trajetória mostra uma melhora gradual, mas ainda distante do superávit necessário para estabilizar a dívida pública no longo prazo.
Impactos no mercado financeiro brasileiro
1. Ibovespa e ações brasileiras
O Ibovespa, principal índice da B3, tem reagido de forma mista às projeções fiscais. Em janeiro de 2026, o Itaú BBA projetou o índice em 185 mil pontos para o fim do ano (Infomoney.Com.Br, 2026-01-14), fundamentado em:
- Cenário global favorável: Apesar da redução da projeção do PIB pelo Banco Mundial, o Goldman Sachs destacou um 2026 sólido para bancos brasileiros (Infomoney.Com.Br, 2026-01-13), impulsionado pela manutenção da Selic em patamares elevados (15% ao ano, segundo o BCB).
- Setores sensíveis à política fiscal: Empresas ligadas ao consumo interno (como varejo e serviços) podem sofrer com a desaceleração econômica, enquanto exportadoras (como commodities) se beneficiam da desvalorização do real.
- Risco de downgrade: Embora o déficit de 0,1% seja visto como controlado, agências de rating monitoram de perto a trajetória da dívida pública. Um eventual rebaixamento da nota de crédito do Brasil poderia elevar o custo de financiamento das empresas e pressionar o Ibovespa.
Recomendações para investidores em ações
- Diversificação setorial: Priorizar empresas com baixa alavancagem e exposição a mercados externos (ex.: Vale, Petrobras).
- Foco em dividendos: Empresas com histórico de distribuição de lucros (ex.: bancos como Itaú e Bradesco) podem ser resilientes em cenários de juros altos.
- Monitorar indicadores fiscais: Acompanhar relatórios do Tesouro Nacional e projeções do Banco Central para ajustar a estratégia.
2. Renda fixa: Tesouro, CDBs e LCIs
Com a Selic mantida em 15% ao ano, os investimentos em renda fixa continuam atrativos, mas é preciso atenção:
- Títulos públicos: O Tesouro IPCA+ (NTN-B) e o Tesouro Prefixado (LTN) são opções para proteger o poder de compra em um cenário de inflação persistente. No entanto, a curva de juros pode sofrer volatilidade caso o mercado antecipe cortes mais agressivos da Selic em 2027.
- CDBs e LCIs: Bancos médios oferecem rentabilidades acima de 110% do CDI, mas é essencial avaliar o rating da instituição (ex.: Fitch, Moody’s) para mitigar riscos.
- Risco fiscal e marcação a mercado: Títulos prefixados de longo prazo (ex.: Tesouro Prefixado 2035) podem sofrer desvalorização se o mercado precificar um aumento da dívida pública.
Recomendações para investidores em renda fixa
- Curto prazo: Priorizar CDBs com liquidez diária ou Tesouro Selic para aproveitar os juros altos sem exposição à marcação a mercado.
- Longo prazo: Tesouro IPCA+ com vencimentos intermediários (ex.: 2030-2035) para hedge inflacionário.
- Diversificação: Alocar parte do portfólio em LCIs e LCAs (isentas de IR) para otimizar a rentabilidade líquida.
3. Fundos Imobiliários (FIIs)
Os FIIs têm sido impactados pela alta da Selic, que aumenta o custo de financiamento imobiliário e reduz a atratividade dos rendimentos distribuídos. No entanto, alguns segmentos se destacam:
- FIIs de papel: Fundos que investem em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) se beneficiam da taxa de juros elevada, oferecendo rendimentos acima da média.
- FIIs de tijolo: Fundos com imóveis comerciais de alto padrão (ex.: lajes corporativas em São Paulo) mantêm vacância controlada e reajustes de aluguel atrelados ao IPCA.
- Risco de inadimplência: Com a desaceleração econômica, FIIs expostos a locatários de menor qualidade de crédito (ex.: varejo popular) podem enfrentar queda nos rendimentos.
Recomendações para investidores em FIIs
- Foco em gestão profissional: Priorizar fundos com histórico de resiliência em cenários adversos (ex.: KNCR11, XPML11).
- Diversificação: Alocar recursos em FIIs de diferentes segmentos (papel, tijolo, logística) para reduzir riscos.
- Atenção aos dividendos: Analisar o payout ratio (percentual do lucro distribuído) e a qualidade dos ativos antes de investir.
Perspectivas para 2026 e além
Cenário macroeconômico
- Crescimento do PIB: O Banco Mundial reduziu a projeção para 2% em 2026 (Valor.Globo.Com, 2026-01-14), enquanto o BCB prevê inflação no centro da meta apenas em 2028 (BCB, 2026). Isso sugere um ambiente de juros altos por mais tempo, impactando o custo do crédito e o consumo das famílias.
- Política fiscal: O governo enfrenta pressão para aumentar receitas (ex.: reforma tributária) e controlar despesas (ex.: revisão de benefícios sociais). Qualquer desvio da meta fiscal pode gerar volatilidade nos mercados.
- Cenário externo: A política monetária dos EUA (Fed) e a demanda global por commodities continuarão influenciando o fluxo de capitais para o Brasil.
O que esperar do Ibovespa?
O Itaú BBA projeta o Ibovespa em 185 mil pontos para 2026 (Infomoney.Com.Br, 2026-01-14), mas esse cenário depende:
- Da manutenção da Selic em patamares elevados: Juros altos favorecem setores defensivos (ex.: bancos, utilities), mas pressionam empresas alavancadas.
- Da aprovação de reformas estruturais: A reforma tributária e a modernização do Estado são vistas como catalisadores para o crescimento de longo prazo.
- Do comportamento do dólar: Uma desvalorização adicional do real poderia beneficiar exportadoras, mas aumentar a inflação importada.
Conclusão
A projeção de déficit primário de 0,1% do PIB para 2025, anunciada por Fernando Haddad, reflete um equilíbrio delicado entre responsabilidade fiscal e pressões econômicas. Para investidores, o cenário exige:
- Atenção aos indicadores fiscais: Acompanhar relatórios do Tesouro Nacional e projeções do Banco Central para antecipar movimentos de mercado.
- Diversificação: Distribuir recursos entre ações, renda fixa e FIIs, priorizando ativos resilientes em cenários de juros altos.
- Foco no longo prazo: Evitar reações impulsivas a volatilidades de curto prazo, mantendo uma estratégia alinhada aos objetivos financeiros.
- Monitoramento do cenário externo: Fatores como política monetária dos EUA e demanda por commodities continuarão impactando o Brasil.
Em um ambiente de crescimento moderado do PIB e inflação persistente, a disciplina fiscal e a gestão de riscos serão fundamentais para navegar no mercado brasileiro em 2026. Investidores que combinarem análise técnica, fundamentos macroeconômicos e diversificação estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades e mitigar os desafios.