Goldman Sachs Projeta 2026 Sólido para Bancos Brasileiros
O ano de 2026 começou com projeções otimistas para o setor bancário brasileiro, segundo relatórios recentes do Goldman Sachs. Enquanto o mercado global enfrenta...
Introdução
O ano de 2026 começou com projeções otimistas para o setor bancário brasileiro, segundo relatórios recentes do Goldman Sachs. Enquanto o mercado global enfrenta incertezas, como juros reais elevados e desaceleração econômica, os bancos brasileiros despontam como uma das apostas mais resilientes para investidores. Dados do Banco Central (BCB) e do Banco Mundial reforçam esse cenário, embora com nuances importantes: o PIB brasileiro deve crescer menos do que o esperado, mas a inflação dá sinais de controle gradual.
Para investidores, entender essas dinâmicas é essencial. Afinal, o desempenho dos bancos está diretamente ligado à saúde da economia, às taxas de juros e à confiança do consumidor. Neste artigo, vamos explorar as projeções do Goldman Sachs, analisar os fatores que sustentam o otimismo para 2026 e oferecer insights práticos para quem busca oportunidades no mercado financeiro brasileiro.
O que diz o Goldman Sachs sobre os bancos em 2026
Em seu relatório mais recente, divulgado em 13 de janeiro de 2026, o Goldman Sachs destacou o setor bancário brasileiro como um dos mais promissores para o ano. A instituição apontou três pilares principais para essa projeção:
Resiliência em meio à desaceleração econômica: Apesar da revisão para baixo do crescimento do PIB brasileiro (2% em 2026, segundo o Banco Mundial), os bancos têm demonstrado capacidade de manter margens saudáveis. Isso se deve, em parte, à diversificação de receitas, com destaque para serviços digitais e crédito consignado.
Juros reais ainda elevados, mas em trajetória de queda: O Banco Central manteve uma política monetária restritiva nos últimos anos, mas as projeções indicam cortes graduais na Selic ao longo de 2026. Isso pode reduzir o custo de captação dos bancos e impulsionar a concessão de crédito, especialmente para pessoas físicas e pequenas empresas.
Eficiência operacional e digitalização: Os grandes bancos brasileiros, como Itaú, Bradesco e Santander, têm investido pesadamente em tecnologia, reduzindo custos e melhorando a experiência do cliente. Segundo o Goldman Sachs, essa tendência deve continuar em 2026, com ganhos de produtividade e aumento da rentabilidade.
Comparação com o cenário global
Enquanto o Brasil apresenta um panorama relativamente positivo para os bancos, o cenário global é mais desafiador. O Banco Mundial projeta um crescimento estável, mas moderado, para a economia mundial em 2026, com riscos associados a tensões geopolíticas e volatilidade nos mercados de commodities. Nesse contexto, os bancos brasileiros se beneficiam de:
- Menor exposição a riscos externos: Diferentemente de instituições europeias ou asiáticas, os bancos brasileiros têm uma base de clientes majoritariamente doméstica, o que reduz a vulnerabilidade a crises internacionais.
- Diversificação de receitas: A expansão de serviços como seguros, investimentos e meios de pagamento tem compensado a desaceleração em linhas de crédito mais sensíveis à economia.
Fatores que sustentam o otimismo para 2026
Crescimento do crédito e inadimplência sob controle
Um dos principais indicadores da saúde dos bancos é o comportamento do crédito. Em 2026, as projeções são positivas:
- Expansão do crédito consignado: Com taxas de juros mais baixas do que outras modalidades, o crédito consignado tem sido um dos motores de crescimento para os bancos. Segundo dados da Febraban, essa linha representou cerca de 20% do total de crédito pessoal em 2025 e deve manter essa participação em 2026.
- Inadimplência em queda: Após um período de alta em 2023 e 2024, a inadimplência começou a dar sinais de estabilização. O Banco Central projeta que o índice de inadimplência para pessoas físicas deve recuar para 4,5% em 2026, ante 5,2% em 2025 (Fonte: BCB).
Inflação e política monetária
A inflação tem sido um dos principais desafios para a economia brasileira nos últimos anos. No entanto, as projeções para 2026 são mais favoráveis:
- Meta de inflação: O Banco Central prevê que a inflação atingirá o centro da meta (3%) apenas em 2028, mas os analistas do Boletim Focus já cortaram as projeções para 2026, estimando um IPCA de 3,8% (Fonte: Infomoney, 12/01/2026). Isso abre espaço para cortes adicionais na Selic, o que pode beneficiar os bancos.
- Juros reais: Mesmo com a queda da Selic, os juros reais (descontada a inflação) devem permanecer em patamares elevados em 2026. Isso é positivo para os bancos, que conseguem manter spreads atrativos.
Digitalização e inovação
A transformação digital dos bancos brasileiros tem sido um dos principais diferenciais competitivos. Em 2026, essa tendência deve se aprofundar:
- Open Banking e Pix: O Open Banking, que permite o compartilhamento de dados entre instituições financeiras, e o Pix, que revolucionou os pagamentos no Brasil, continuam a impulsionar a eficiência dos bancos. Segundo a Febraban, o Pix já responde por mais de 30% das transações financeiras no país.
- Inteligência Artificial (AI-powered): Os bancos estão cada vez mais utilizando inteligência artificial para análise de crédito, detecção de fraudes e personalização de serviços. O Goldman Sachs destacou em seu relatório que essa tendência deve continuar em 2026, com ganhos significativos de produtividade.
Riscos e desafios para o setor
Apesar do otimismo, é importante considerar os riscos que podem impactar o desempenho dos bancos em 2026:
Desaceleração econômica
O Banco Mundial revisou para baixo suas projeções de crescimento para o Brasil, estimando um PIB de 2% em 2026. Uma economia mais fraca pode reduzir a demanda por crédito e aumentar a inadimplência, especialmente entre pequenas e médias empresas.
Regulação e concorrência
- Regulação mais rígida: O Banco Central tem intensificado a fiscalização sobre o setor financeiro, com foco em transparência e proteção ao consumidor. Isso pode aumentar os custos operacionais dos bancos.
- Concorrência de fintechs: As fintechs continuam a ganhar mercado, especialmente em nichos como crédito pessoal e investimentos. Os bancos tradicionais precisam inovar para não perder participação.
Volatilidade global
Embora os bancos brasileiros tenham menor exposição a riscos externos, eventos globais, como crises geopolíticas ou mudanças nas políticas monetárias dos EUA e da Europa, podem afetar o fluxo de capitais e a confiança dos investidores.
Oportunidades para investidores
Diante desse cenário, quais são as oportunidades para investidores em 2026? Vamos explorar algumas estratégias:
Ações de bancos
Os grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) são tradicionalmente considerados boas opções para investidores que buscam dividendos e exposição ao setor financeiro. Em 2026, alguns fatores podem torná-los ainda mais atrativos:
- Valuation atrativo: Com a queda das taxas de juros, as ações de bancos, que são sensíveis a esse indicador, podem se valorizar. O Goldman Sachs destacou em seu relatório que os papéis de bancos brasileiros estão sendo negociados a múltiplos inferiores à média histórica.
- Dividendos: Os bancos brasileiros têm uma política de distribuição de dividendos consistente. Em 2025, o dividend yield médio do setor foi de 6,5%, e a expectativa é que se mantenha em patamares semelhantes em 2026.
Exemplos práticos
- Itaú Unibanco (ITUB4): O maior banco privado do Brasil tem apresentado resultados consistentes, com destaque para a expansão de sua base de clientes digitais. Em 2025, o lucro líquido ajustado cresceu 12% em relação ao ano anterior, e a projeção para 2026 é de crescimento de 8% a 10%.
- Banco do Brasil (BBAS3): Com forte presença no crédito rural e consignado, o Banco do Brasil se beneficia da queda da Selic e da expansão do agronegócio. A ação tem um dividend yield histórico acima de 7%.
Fundos Imobiliários (FIIs) ligados ao setor
Os Fundos Imobiliários que investem em agências bancárias e imóveis corporativos também podem se beneficiar do cenário positivo para os bancos. Alguns FIIs do setor:
- BBPO11 (BB Progressivo): Investe em imóveis comerciais, com foco em agências do Banco do Brasil. O fundo tem uma taxa de ocupação de 98% e um dividend yield de 9% ao ano.
- XPML11 (XP Malls): Embora não seja exclusivo de bancos, o fundo tem exposição a imóveis comerciais em regiões de alto tráfego, onde as agências bancárias são locatárias importantes.
Renda fixa: CDBs e LCIs
Para investidores mais conservadores, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) emitidos por bancos são opções interessantes:
- CDBs: Com a queda da Selic, os bancos têm oferecido taxas mais atrativas para captar recursos. Em janeiro de 2026, é possível encontrar CDBs com rentabilidade de 110% a 120% do CDI para prazos de 2 a 3 anos.
- LCIs: Isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas, as LCIs são uma opção interessante para quem busca segurança e rentabilidade. As taxas variam de 90% a 105% do CDI, dependendo do prazo e do banco emissor.
Conclusão
O ano de 2026 se desenha como um período promissor para os bancos brasileiros, segundo as projeções do Goldman Sachs e outros analistas de mercado. Apesar dos desafios macroeconômicos, como a desaceleração do PIB e a inflação ainda acima da meta, o setor financeiro tem demonstrado resiliência, impulsionado pela digitalização, eficiência operacional e queda gradual dos juros.
Para investidores, as oportunidades são variadas: desde ações de bancos com valuation atrativo e dividendos consistentes até FIIs ligados ao setor e produtos de renda fixa com taxas competitivas. No entanto, é fundamental acompanhar de perto os indicadores econômicos e os resultados trimestrais das instituições, ajustando a estratégia conforme o cenário evolui.
Em um ambiente de incertezas globais e volatilidade, os bancos brasileiros se destacam como uma das apostas mais sólidas para 2026. Como sempre, a diversificação e a análise criteriosa dos fundamentos são essenciais para navegar com segurança no mercado financeiro.