Estrangeiros impulsionam Ibovespa: o que explica o melhor janeiro em 20 anos

3 de fevereiro de 2026
Por Time InvestAI

O Ibovespa encerrou janeiro de 2026 com o melhor desempenho para o mês desde 2006, impulsionado por um fluxo recorde de investimentos estrangeiros. Enquanto analistas celebram a alta de 12% no período...

RESUMO EM 60S

O Ibovespa encerrou janeiro de 2026 com o melhor desempenho para o mês desde 2006, impulsionado por um fluxo recorde de investimentos estrangeiros. Enquanto analistas celebram a alta de 12% no período, o mercado questiona: será sustentável ou apenas um rally de curto prazo? Dados do Banco Central mostram que a entrada líquida de capital externo superou R$ 20 bilhões em janeiro, mas especialistas alertam para riscos como a volatilidade global e o cenário fiscal brasileiro. Este artigo explora os fatores por trás do movimento, os setores mais beneficiados e o que esperar nos próximos meses — com insights para investidores de todos os perfis.


Introdução

Janeiro de 2026 ficará marcado na memória dos investidores brasileiros. O Ibovespa não apenas superou as expectativas mais otimistas, como registrou seu melhor desempenho para o mês em duas décadas, com alta de 12% e fechamento acima dos 180 mil pontos. Por trás desse movimento, um protagonista claro: o capital estrangeiro. Segundo dados da B3, o fluxo líquido de investimentos de não residentes na Bolsa brasileira atingiu R$ 20,5 bilhões no período — o maior volume para um janeiro desde 2010.

Mas o que explica essa onda de otimismo? E, mais importante: ela tem fôlego para continuar? Enquanto casas como XP elevam suas projeções para o Ibovespa a 190 mil pontos até o fim do ano, outros analistas pedem cautela. Afinal, o mercado brasileiro ainda navega em águas turbulentas: inflação em queda, mas ainda acima do centro da meta; juros em trajetória de baixa, mas com incertezas fiscais no radar. Neste artigo, vamos dissecar os números, ouvir especialistas e explorar os cenários possíveis para os próximos meses.


O fluxo estrangeiro: o motor da alta

O apetite dos investidores internacionais pelo Brasil em janeiro surpreendeu até os mais otimistas. De acordo com a B3, o saldo positivo de R$ 20,5 bilhões em ações superou em 40% o volume registrado em janeiro de 2025. Para efeito de comparação, o fluxo estrangeiro no mercado de renda fixa também foi expressivo, com entrada líquida de R$ 8,7 bilhões em títulos públicos.

Por que o Brasil voltou ao radar global?

Três fatores principais explicam esse movimento:

  1. Diferencial de juros: Com a Selic em 9,25% ao ano (após seis cortes consecutivos), o Brasil ainda oferece um dos maiores retornos reais do mundo. Mesmo com a expectativa de novas reduções, o carry trade — estratégia que aproveita a diferença entre as taxas locais e internacionais — continua atrativo. "O Brasil é um dos poucos mercados emergentes onde o investidor ainda encontra juros reais positivos", destaca relatório recente da XP.

  2. Reforma fiscal e otimismo com o arcabouço: A aprovação da reforma tributária em 2025 e os primeiros sinais de controle das contas públicas deram fôlego ao mercado. Em dezembro, a dívida pública bruta encerrou em 78,7% do PIB, abaixo das projeções do mercado, e o setor público consolidado registrou superávit primário. "Os números fiscais vieram melhores do que o esperado, o que reduz o risco de downgrade da nota de crédito do Brasil", avalia a gestora Valora em relatório.

  3. Valuation atrativo: Mesmo após a alta de janeiro, o Ibovespa ainda negocia com um P/L (preço/lucro) de 9,5 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes. "O mercado brasileiro está barato em relação a outros emergentes, como Índia e México", aponta análise da Genial Investimentos. Setores como bancos, commodities e energia — que compõem mais de 50% do índice — são os principais alvos dos estrangeiros.


Os setores que lideraram a alta

A entrada de capital externo não foi uniforme. Alguns setores se destacaram, refletindo tanto o apetite por risco quanto as perspectivas macroeconômicas:

Bancos: a aposta na queda dos juros

As ações de bancos foram as grandes estrelas de janeiro, com alta média de 15%. Itaú (ITUB4) subiu 16%, Bradesco (BBDC4) avançou 14%, e Santander (SANB11) registrou valorização de 18%. O movimento reflete a expectativa de que a queda da Selic — que deve encerrar 2026 em 7,5%, segundo o Boletim Focus — impulsione a demanda por crédito.

"Os bancos brasileiros estão bem capitalizados e têm margens saudáveis. Com a Selic em queda, o spread bancário tende a se comprimir, mas o volume de operações deve crescer", explica analista da Genial. No entanto, há riscos: a inadimplência ainda preocupa, especialmente em segmentos como varejo e pequenas empresas.

Commodities: o efeito China

O setor de commodities também brilhou, puxado pela recuperação da economia chinesa. Vale (VALE3) subiu 12%, enquanto Petrobras (PETR4) avançou 9%. "A demanda por minério de ferro e petróleo está aquecida, e os preços internacionais seguem em patamares elevados", destaca relatório da XP. No entanto, analistas alertam para a volatilidade: "A China ainda enfrenta desafios no setor imobiliário, o que pode impactar a demanda por commodities", pondera a Valora.

Varejo: sinais mistos

O varejo teve desempenho desigual. Enquanto Magazine Luiza (MGLU3) subiu 8%, Lojas Renner (LREN3) caiu 3%. "O setor ainda sofre com a alta inadimplência e a cautela do consumidor", avalia a XP. Por outro lado, empresas com foco em classes mais altas, como Natura (NTCO3), se beneficiaram da melhora do mercado de trabalho.


Os riscos no radar: o que pode dar errado?

Apesar do otimismo, o mercado não está imune a turbulências. Especialistas apontam pelo menos três riscos que podem frear o rally:

  1. Volatilidade global: As bolsas americanas têm apresentado sinais de exaustão, com o S&P 500 oscilando próximo a máximas históricas. "Qualquer correção nos EUA pode contaminar os mercados emergentes, incluindo o Brasil", alerta a Valora. Além disso, a política monetária do Fed — que deve manter os juros altos por mais tempo — pode reduzir o apetite por ativos de risco.

  2. Cenário fiscal brasileiro: Embora os números recentes tenham sido positivos, o mercado ainda vê com cautela a capacidade do governo de cumprir as metas fiscais em 2026. "O risco de descumprimento da meta de déficit zero é real, especialmente com as pressões por gastos sociais", avalia a XP. Uma eventual deterioração das contas públicas poderia levar a uma nova onda de aversão ao risco.

  3. Inflação e juros: O Boletim Focus projeta inflação de 3,8% em 2026, abaixo do centro da meta (4,5%), mas ainda sujeita a surpresas. "Se a inflação voltar a acelerar, o Banco Central pode ser forçado a interromper o ciclo de cortes da Selic", explica analista da Genial. Isso teria impacto direto nos ativos de renda variável.


O que esperar para os próximos meses?

O consenso entre analistas é de que o fluxo estrangeiro deve continuar positivo em 2026, mas em ritmo menos intenso do que em janeiro. "O primeiro trimestre costuma ser o mais forte para o ingresso de capital externo, mas o segundo semestre pode trazer desafios", avalia a XP.

Projeções para o Ibovespa

A XP elevou sua projeção para o Ibovespa de 180 mil para 190 mil pontos até o fim de 2026, citando três fatores:

  • Queda da Selic para 7,5% ao ano;
  • Melhora gradual do cenário fiscal;
  • Recuperação da economia global.

No entanto, outras casas são mais cautelosas. A Valora, por exemplo, mantém sua projeção em 175 mil pontos, argumentando que "o mercado já precificou boa parte do otimismo".

Alocação de ativos: o que fazer?

Para investidores que buscam se posicionar nesse cenário, especialistas sugerem:

  • Diversificação: "Não coloque todos os ovos na mesma cesta. Mesmo com a alta do Ibovespa, é importante manter exposição a renda fixa e ativos internacionais", recomenda a Genial.

  • Foco em qualidade: Empresas com balanços sólidos, baixa alavancagem e boa governança corporativa tendem a performar melhor em cenários de volatilidade. "Setores como energia, bancos e commodities devem continuar atrativos", aponta a XP.

  • Atenção aos fundos imobiliários (FIIs): Com a queda da Selic, os FIIs podem voltar a ganhar espaço na carteira. "Os fundos de tijolo, especialmente os de logística e lajes corporativas, são os mais beneficiados", destaca relatório da InfoMoney.

  • Renda fixa: Mesmo com a queda dos juros, títulos como o Tesouro IPCA+ e CDBs com taxas atrativas ainda oferecem oportunidades. "Para quem busca segurança, a renda fixa segue como uma boa opção", avalia a Valora.


Conclusão: sustentabilidade ou bolha?

O desempenho recorde do Ibovespa em janeiro é, sem dúvida, um sinal positivo para o mercado brasileiro. A entrada de capital estrangeiro reflete não apenas o apetite por risco, mas também a confiança na recuperação da economia local. No entanto, como todo movimento de alta, é preciso questionar sua sustentabilidade.

Os próximos meses serão cruciais para definir se o rally tem fôlego para continuar. Indicadores como a inflação, o cenário fiscal e a política monetária do Fed serão determinantes. Para o investidor, a mensagem é clara: diversifique, mantenha o foco em qualidade e esteja preparado para a volatilidade.

Como diria o lendário investidor Howard Marks: "O mercado não é um cassino, mas também não é uma máquina de fazer dinheiro. É um lugar onde você precisa pensar por si mesmo." E, nesse momento, pensar por si mesmo significa analisar os fatos, questionar o consenso e estar pronto para agir — ou não agir — com base em informações sólidas.

Para acompanhar os indicadores mencionados neste artigo em tempo real, como o P/L das ações e o fluxo estrangeiro na B3, baixe o app InvestAI e tenha acesso a ferramentas exclusivas para tomar decisões mais informadas.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.

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