Core and Satellite: Equilibrando sua carteira com estratégias combinadas

11 de fevereiro de 2026
Por Time InvestindoAI

O método Core and Satellite é uma estratégia de investimentos que divide a carteira em duas partes: o núcleo (core), composto por ativos estáveis e diversificados, e os satélites, formados...

RESUMO EM 60S

O método Core and Satellite é uma estratégia de investimentos que divide a carteira em duas partes: o núcleo (core), composto por ativos estáveis e diversificados, e os satélites, formados por investimentos mais específicos ou arrojados. Essa abordagem busca equilibrar segurança e potencial de crescimento, permitindo que o investidor mantenha uma base sólida enquanto explora oportunidades com maior rentabilidade. Ideal para quem quer diversificar sem abrir mão de objetivos de longo prazo, essa estratégia é flexível e se adapta a diferentes perfis de investidor.


Introdução

Imagine construir uma casa. Você começa pelos alicerces — fortes, resistentes e projetados para durar décadas. Depois, adiciona os detalhes que dão personalidade ao projeto: uma varanda, um jardim ou uma pintura especial. No mundo dos investimentos, a estratégia Core and Satellite funciona de maneira semelhante. O core (núcleo) é como os alicerces: uma base sólida, diversificada e com foco no longo prazo. Já os satélites são os detalhes que podem trazer retornos adicionais ou atender a objetivos específicos, como um projeto pessoal ou uma aposta em um setor promissor.

Essa abordagem é especialmente útil para investidores que buscam equilíbrio. Afinal, colocar todo o capital em ativos de alto risco pode ser arriscado, enquanto focar apenas em segurança pode limitar o potencial de crescimento. O Core and Satellite permite combinar o melhor dos dois mundos: estabilidade e oportunidades.


Conceitos Fundamentais

Antes de mergulhar na prática, é importante entender alguns termos-chave que sustentam essa estratégia:

1. **Diversificação**

  • Distribuir os investimentos em diferentes classes de ativos (ações, renda fixa, fundos imobiliários, etc.), setores e regiões para reduzir riscos. A ideia é que, se um investimento performar mal, os outros podem compensar.

2. **Risco x Retorno**

  • Todo investimento envolve um trade-off entre risco (a possibilidade de perder dinheiro) e retorno (o potencial de ganho). Ativos mais arriscados, como ações de pequenas empresas, tendem a oferecer retornos maiores, mas com maior volatilidade. Já ativos como títulos públicos são mais seguros, mas com retornos geralmente menores.

3. **Horizonte de Investimento**

  • O tempo que você planeja manter seus investimentos antes de precisar do dinheiro. Quanto maior o horizonte, maior a capacidade de assumir riscos, pois há mais tempo para recuperar eventuais perdas.

4. **Alocação de Ativos**

  • A divisão do seu capital entre diferentes tipos de investimentos. Por exemplo: 60% em renda fixa, 30% em ações e 10% em fundos imobiliários. No Core and Satellite, essa alocação é dividida entre o núcleo e os satélites.

5. **Rebalanceamento**

  • Ajustar periodicamente a alocação da carteira para manter o equilíbrio desejado. Por exemplo, se as ações valorizarem muito e passarem a representar 40% da carteira (quando o planejado era 30%), você vende parte delas para recomprar ativos de outras classes e voltar à alocação original.

Como Funciona na Prática

Vamos entender como aplicar o Core and Satellite em uma carteira de investimentos. A ideia é simples: o core deve ser a maior parte da carteira, enquanto os satélites ocupam uma fatia menor, mas estratégica.

Estrutura Típica de uma Carteira Core and Satellite

Componente Participação Objetivo Exemplos de Ativos (Brasil)
Core 60% a 80% Estabilidade e crescimento de longo prazo Fundos de índice (ETFs), fundos multimercado conservadores, títulos públicos (Tesouro Direto), CDBs de grandes bancos
Satellite 20% a 40% Potencial de retorno adicional ou objetivos específicos Ações individuais, fundos de ações setoriais, criptomoedas, fundos imobiliários (FIIs), investimentos no exterior

Exemplo Prático

Vamos supor que você tenha R$ 100.000 para investir e decida adotar a estratégia Core and Satellite com uma alocação de 70% no núcleo e 30% nos satélites.

**Core (70% = R$ 70.000)**

  • 50% (R$ 35.000): Fundos de índice (ETFs) que replicam o Ibovespa ou o S&P 500. Esses fundos oferecem diversificação automática e baixo custo.
  • 30% (R$ 21.000): Títulos públicos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic ou Tesouro IPCA+, que protegem contra a inflação e oferecem liquidez.
  • 20% (R$ 14.000): CDBs de grandes bancos com liquidez diária e rentabilidade próxima ao CDI. São seguros e garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

**Satellite (30% = R$ 30.000)**

  • 40% (R$ 12.000): Ações de empresas sólidas em setores que você acredita que terão bom desempenho no longo prazo, como energia renovável ou tecnologia.
  • 30% (R$ 9.000): Fundos imobiliários (FIIs) de tijolo, que distribuem rendimentos mensais e podem se valorizar com o tempo.
  • 20% (R$ 6.000): Investimentos no exterior, como ETFs de mercados desenvolvidos ou emergentes, para diversificar geograficamente.
  • 10% (R$ 3.000): Ativos mais arrojados, como criptomoedas ou ações de pequenas empresas com alto potencial de crescimento (mas também alto risco).

Por Que Essa Divisão Faz Sentido?

  1. Segurança: O core protege seu capital contra volatilidades do mercado, garantindo que a maior parte da carteira esteja em ativos estáveis.
  2. Crescimento: Os satélites permitem explorar oportunidades com maior potencial de retorno, mesmo que envolvam mais risco.
  3. Flexibilidade: Você pode ajustar os satélites conforme seus objetivos mudam, sem comprometer a base da carteira.
  4. Diversificação: A combinação de diferentes classes de ativos reduz o risco de perdas significativas.

Vantagens e Desvantagens

Como toda estratégia de investimento, o Core and Satellite tem seus prós e contras. Vamos analisá-los:

Vantagens

  1. Equilíbrio entre Risco e Retorno

    • A divisão entre núcleo e satélites permite que você assuma riscos calculados nos satélites, enquanto mantém a maior parte do capital protegida no core.
  2. Diversificação Automática

    • O core, por si só, já é diversificado (especialmente se usar ETFs ou fundos multimercado). Os satélites adicionam camadas extras de diversificação.
  3. Flexibilidade

    • Você pode ajustar os satélites conforme suas metas ou o cenário econômico mudam, sem precisar mexer na base da carteira.
  4. Foco no Longo Prazo

    • O core é projetado para crescer de forma consistente ao longo dos anos, enquanto os satélites podem ser usados para objetivos de curto ou médio prazo.
  5. Redução de Ansiedade

    • Saber que a maior parte da carteira está em ativos estáveis pode trazer mais tranquilidade, mesmo em momentos de volatilidade.

Desvantagens

  1. Complexidade

    • Gerenciar uma carteira com múltiplos ativos exige mais conhecimento e disciplina, especialmente na hora de rebalancear.
  2. Custos

    • Dependendo dos ativos escolhidos (especialmente fundos ativos ou corretagens para ações), os custos podem aumentar e impactar os retornos.
  3. Risco de Overfitting

    • Se os satélites forem muito específicos ou concentrados, você pode acabar assumindo riscos desnecessários. Por exemplo, apostar tudo em um único setor ou empresa.
  4. Necessidade de Monitoramento

    • Embora o core exija menos atenção, os satélites precisam ser acompanhados com mais frequência para garantir que ainda fazem sentido para seus objetivos.
  5. Dificuldade em Definir Alocações

    • Não existe uma fórmula mágica para dividir o core e os satélites. A alocação ideal depende do seu perfil de investidor, objetivos e horizonte de tempo. Simplificar isso usando a IA do InvestAI pode ajudar a encontrar o equilíbrio certo para você.

Quando Faz Sentido Usar o Core and Satellite

Essa estratégia não é para todo mundo, mas pode ser ideal para alguns perfis de investidor. Veja em quais situações ela faz mais sentido:

1. **Investidores com Objetivos de Longo Prazo**

  • Se você está investindo para a aposentadoria, a educação dos filhos ou um projeto que só será realizado daqui a 10 anos ou mais, o Core and Satellite é uma ótima opção. O core garante crescimento consistente, enquanto os satélites podem acelerar os resultados.

2. **Quem Quer Diversificar sem Abrir Mão da Segurança**

  • Se você é conservador, mas não quer deixar todo o seu dinheiro em renda fixa, essa estratégia permite explorar outras classes de ativos com uma parte menor do capital.

3. **Investidores com Conhecimento Intermediário**

  • Se você já entende os conceitos básicos de investimentos e quer ir além dos fundos de índice ou da renda fixa, o Core and Satellite oferece uma estrutura para fazer isso de forma organizada.

4. **Quem Tem Capital para Investir em Diferentes Ativos**

  • Se você tem um patrimônio significativo (por exemplo, acima de R$ 50.000), essa estratégia permite alocar recursos em diferentes classes de ativos sem concentrar demais em uma só.

5. **Investidores que Querem Aprender na Prática**

  • Se você está começando a se interessar por ações, fundos imobiliários ou investimentos no exterior, os satélites são uma forma de ganhar experiência sem arriscar todo o seu capital.

Perfis que Podem Não se Beneficiar

  1. Investidores Muito Conservadores

    • Se você não se sente confortável com nenhum tipo de risco, pode preferir manter 100% do capital em renda fixa ou fundos conservadores.
  2. Quem Não Tem Tempo para Acompanhar os Investimentos

    • Se você não quer ou não pode monitorar sua carteira com frequência, uma estratégia mais passiva, como investir apenas em ETFs, pode ser mais adequada.
  3. Investidores com Pouco Capital

    • Se você está começando e tem pouco dinheiro para investir, pode ser mais prático focar em um ou dois ativos por vez, como um ETF e um título público.

Erros Comuns a Evitar

Mesmo sendo uma estratégia flexível, o Core and Satellite pode não funcionar se alguns erros comuns forem cometidos. Veja quais são e como evitá-los:

1. **Concentrar Demais nos Satélites**

  • Erro: Alocar uma fatia muito grande da carteira nos satélites, especialmente em ativos de alto risco.
  • Solução: Mantenha os satélites entre 20% e 40% da carteira, dependendo do seu perfil. Lembre-se: o core é a base e deve ser priorizado.

2. **Não Rebalancear a Carteira**

  • Erro: Deixar a carteira desequilibrada por muito tempo. Por exemplo, se as ações valorizarem e passarem a representar 50% da carteira (quando o planejado era 30%), você pode estar assumindo mais risco do que gostaria.
  • Solução: Faça rebalanceamentos periódicos (a cada 6 ou 12 meses) para manter a alocação original. Na InvestAI, nossa ferramenta de rebalanceamento automático pode ajudar a manter sua carteira no caminho certo.

3. **Escolher Satélites sem Critério**

  • Erro: Investir em ativos apenas porque estão "na moda" ou porque alguém recomendou, sem entender os fundamentos.
  • Solução: Antes de alocar recursos nos satélites, estude os ativos, entenda os riscos e veja se eles se alinham aos seus objetivos. Ferramentas de análise fundamentalista podem ser úteis aqui.

4. **Ignorar os Custos**

  • Erro: Escolher ativos com taxas altas ou corretagens caras, que podem corroer seus retornos ao longo do tempo.
  • Solução: Opte por ativos com baixos custos, como ETFs ou fundos passivos. Compare as taxas antes de investir.

5. **Não Ter um Plano Claro**

  • Erro: Investir nos satélites sem um objetivo definido, como "vou comprar ações porque todo mundo está comprando".
  • Solução: Defina metas claras para cada parte da carteira. Por exemplo: "Vou alocar 10% em FIIs para gerar renda passiva" ou "Vou investir 5% em criptomoedas para diversificar".

6. **Deixar as Emoções Tomarem Conta**

  • Erro: Vender ativos do core em momentos de queda ou comprar satélites em momentos de euforia, sem uma estratégia clara.
  • Solução: Mantenha a disciplina e siga seu plano. Lembre-se de que o core é projetado para o longo prazo, e os satélites devem ser escolhidos com base em análise, não em emoções.

Primeiros Passos: Como Começar com o Core and Satellite

Se você decidiu adotar essa estratégia, siga este guia prático para começar:

1. **Defina Seus Objetivos**

  • Pergunte-se: Para que estou investindo? (aposentadoria, comprar uma casa, educação dos filhos, etc.).
  • Qual é o meu horizonte de tempo? (curto, médio ou longo prazo).
  • Qual é o meu perfil de investidor? (conservador, moderado ou arrojado).

Essas respostas vão ajudar a definir a alocação ideal entre core e satélites. Por exemplo:

  • Conservador: 80% core, 20% satélites.
  • Moderado: 70% core, 30% satélites.
  • Arrojado: 60% core, 40% satélites.

2. **Escolha os Ativos do Core**

  • Opte por ativos diversificados, de baixo custo e com foco no longo prazo. Alguns exemplos:
    • ETFs: Como o BOVA11 (Ibovespa) ou o IVVB11 (S&P 500).
    • Títulos Públicos: Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado.
    • Fundos Multimercado Conservadores: Que investem em uma mistura de renda fixa e variável.
    • CDBs de Grandes Bancos: Com liquidez diária e rentabilidade próxima ao CDI.

Dica: Se você não sabe por onde começar, a InvestAI pode ajudar a montar uma carteira core diversificada e alinhada ao seu perfil.

3. **Selecione os Satélites**

  • Escolha ativos que complementem o core e se alinhem aos seus objetivos. Alguns exemplos:
    • Ações Individuais: Empresas sólidas de setores que você conhece ou acredita que terão bom desempenho.
    • Fundos Imobiliários (FIIs): Para gerar renda passiva ou diversificar em imóveis.
    • Investimentos no Exterior: ETFs ou fundos que replicam índices internacionais.
    • Ativos Alternativos: Como criptomoedas, ouro ou fundos de private equity (para perfis mais arrojados).

Lembre-se: os satélites devem ser uma fatia menor da carteira e escolhidos com critério.

4. **Monte Sua Carteira**

  • Com base na alocação definida, distribua seu capital entre os ativos escolhidos. Por exemplo:
    • Core (70%): 40% em ETFs, 30% em títulos públicos, 30% em CDBs.
    • Satellite (30%): 50% em ações, 30% em FIIs, 20% em investimentos no exterior.

Use uma planilha ou ferramenta de gestão de carteira para acompanhar a alocação.

5. **Faça o Primeiro Rebalanceamento**

  • Após alguns meses, verifique se a alocação ainda está de acordo com o planejado. Se algum ativo se valorizou ou desvalorizou muito, ajuste a carteira para voltar à alocação original.

Exemplo: Se as ações valorizarem e passarem a representar 40% da carteira (quando o planejado era 30%), venda parte delas e reinvista o dinheiro em outros ativos para voltar ao equilíbrio.

6. **Acompanhe e Ajuste**

  • Revise sua carteira periodicamente (a cada 6 ou 12 meses) para garantir que ela ainda faz sentido para seus objetivos. Ajuste os satélites conforme necessário, mas mantenha o core estável.

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