Bolsa em alta, Selic parada e gasolina em queda: o que move o mercado em 2026

1 de fevereiro de 2026
Por Time InvestAI

O Ibovespa renovou máximas históricas nesta semana, impulsionado por fluxo externo positivo e otimismo com a manutenção da Selic em patamares elevados, mas com perspectiva de cortes à frente. Enquanto...

RESUMO EM 60S

O Ibovespa renovou máximas históricas nesta semana, impulsionado por fluxo externo positivo e otimismo com a manutenção da Selic em patamares elevados, mas com perspectiva de cortes à frente. Enquanto a dívida pública surpreendeu ao ficar abaixo de 79% do PIB, o mercado de trabalho aquecido e a queda nos preços dos combustíveis reforçam um cenário de alívio inflacionário. Mas será que o consenso de "soft landing" da economia brasileira é realista? Analistas divergem sobre os riscos de superaquecimento e os impactos da política fiscal expansionista. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.

Introdução

O mercado brasileiro vive um momento de aparente contradições. De um lado, o Ibovespa atinge recordes históricos, com investidores estrangeiros voltando a aportar recursos no país. De outro, a Selic estacionada em 11,25% ao ano — patamar que ainda pressiona a renda fixa e os custos de financiamento — e a dívida pública bruta em 78,7% do PIB, um número que, embora melhor que o esperado, ainda preocupa. Enquanto isso, os preços dos combustíveis recuam, aliviando a inflação, mas o mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em níveis historicamente baixos e salários em alta. O que esses movimentos revelam sobre a economia brasileira em 2026? E quais são os riscos que o mercado pode estar subestimando?

Ibovespa nas máximas: fluxo externo e otimismo seletivo

O Ibovespa encerrou janeiro como o destaque entre os principais índices globais, com alta de 4,2% no mês, segundo dados do Valor Econômico. O fluxo estrangeiro foi o principal motor desse movimento, com R$ 12,3 bilhões ingressando na B3 apenas em janeiro — o maior volume mensal desde março de 2024. "O mercado internacional está precificando um cenário de cortes de juros nos EUA ainda em 2026, o que aumenta o apetite por ativos de risco em mercados emergentes", avalia um estrategista do Banco BBI, em relatório divulgado nesta semana.

Mas nem tudo são flores. A concentração do índice em poucas ações — como Petrobras, Vale e os grandes bancos — continua sendo um ponto de atenção. Enquanto o Ibovespa sobe, o índice de small caps (SMLL) acumula queda de 2,1% no ano, refletindo a cautela dos investidores com empresas de menor liquidez. "O mercado está em modo 'risk-on', mas de forma seletiva. As grandes blue chips estão sendo favorecidas, enquanto as small caps sofrem com a aversão a risco", observa um analista da XP Investimentos.

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Selic estacionada: o que esperar dos juros em 2026?

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 11,25% ao ano não surpreendeu o mercado, que já precificava a manutenção da taxa, segundo analistas da Macieira Investimentos. O que chamou atenção foi o tom do comunicado, que reforçou a necessidade de "paciência" antes de iniciar um ciclo de cortes. "O Banco Central sinalizou que não há pressa para reduzir os juros, mesmo com a inflação em trajetória de queda. Isso reflete a preocupação com o mercado de trabalho aquecido e os riscos fiscais", explica um economista da Genial Investimentos.

A projeção do mercado, segundo o último Boletim Focus, é de que a Selic encerre 2026 em 9,5% ao ano, com cortes iniciando-se apenas no segundo trimestre. No entanto, há divergências. Enquanto alguns analistas acreditam que o BC pode acelerar os cortes caso a inflação continue cedendo, outros alertam para o risco de superaquecimento da economia, especialmente com o desemprego em 5,7% — nível considerado próximo do pleno emprego.

Para os investidores, a Selic estacionada significa que a renda fixa continua atrativa, especialmente títulos pós-fixados como o Tesouro Selic e CDBs com taxas acima de 110% do CDI. "Com a curva de juros ainda inclinada, os títulos prefixados de médio prazo podem oferecer oportunidades interessantes para quem acredita em cortes mais agressivos", avalia um gestor de renda fixa da XP.

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Dívida pública abaixo do esperado: alívio ou armadilha?

A dívida pública bruta do Brasil encerrou 2025 em 78,7% do PIB, abaixo da projeção de 79,5% do mercado, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta semana. O resultado foi comemorado pelo governo, que destacou o superávit primário de R$ 12,5 bilhões em dezembro como sinal de responsabilidade fiscal. "O número é positivo, mas não podemos ignorar que a dívida ainda está em patamar elevado para um país emergente", alerta um economista-chefe do Itaú Unibanco.

O mercado reagiu com cautela. Embora o resultado tenha sido melhor que o esperado, a trajetória da dívida continua dependente de fatores como o crescimento do PIB, a taxa de juros e o resultado primário. "Se a economia crescer menos que o esperado ou os juros demorarem a cair, a dívida pode voltar a subir rapidamente", pondera um relatório do Banco BBI.

Outro ponto de atenção é a composição da dívida. Cerca de 30% do estoque está indexado à Selic, o que significa que uma eventual alta dos juros teria impacto imediato no custo da rolagem. "O governo precisa avançar na desindexação da dívida e na redução do prazo médio, mas isso exige um ambiente de juros baixos e estabilidade fiscal", explica um especialista em finanças públicas.

Mercado de trabalho aquecido: benção ou risco inflacionário?

O desemprego no Brasil atingiu 5,7% no quarto trimestre de 2025, segundo projeções da XP Investimentos, o menor nível desde 2014. A massa salarial real cresceu 4% em 2025, impulsionada por reajustes acima da inflação e pela formalização do mercado de trabalho. "O mercado de trabalho aquecido é um sinal de saúde da economia, mas também pode pressionar os preços, especialmente em serviços", avalia um economista da LCA Consultores.

O risco de superaquecimento é uma das principais preocupações do Banco Central. Com o desemprego baixo e os salários em alta, há um aumento natural do consumo, o que pode gerar pressões inflacionárias. "O BC está em um dilema: cortar juros para estimular a economia ou mantê-los altos para conter a inflação", observa um estrategista da Guide Investimentos.

Para os investidores, o mercado de trabalho aquecido pode beneficiar setores como varejo, construção civil e serviços. Ações de empresas como Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Renner (LREN3) e Cyrela (CYRE3) têm sido apontadas por analistas como potenciais beneficiárias desse cenário. No entanto, é preciso cautela. "O consumo pode se manter forte no curto prazo, mas se a inflação voltar a subir, o BC pode ser forçado a manter os juros altos por mais tempo", alerta um relatório da XP.

Na InvestAI, você pode acompanhar a correlação entre o desemprego e a performance de ações do setor de varejo e serviços.

Preço da gasolina em queda: alívio para a inflação, mas até quando?

Os preços dos combustíveis recuaram 3,2% em janeiro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), refletindo a queda do petróleo no mercado internacional e a redução dos impostos federais. A gasolina, que chegou a custar R$ 6,50 o litro em meados de 2025, agora é vendida a R$ 5,80 em média, segundo levantamento da Ticket Log.

O impacto na inflação é direto. O IPCA-15 de janeiro registrou deflação de 0,31%, com destaque para a queda de 5,2% nos preços dos combustíveis. "A redução dos preços da gasolina é um alívio para a inflação, mas é preciso monitorar outros fatores, como os preços dos alimentos e os serviços", avalia um economista da Tendências Consultoria.

No entanto, há riscos no horizonte. O preço do petróleo no mercado internacional é volátil e pode subir caso a demanda global se recupere mais rápido que o esperado. Além disso, a política de preços da Petrobras (PETR4) continua sendo um ponto de atenção. "Se o governo pressionar a Petrobras a segurar os preços para conter a inflação, isso pode afetar a rentabilidade da empresa e, consequentemente, o valor das ações", explica um analista da Eleven Financial.

Para os investidores, a queda dos combustíveis pode beneficiar setores como transporte e logística, além de reduzir os custos de produção em diversos segmentos. Ações de empresas como Rumo (RAIL3) e JSL (JSLG3) têm sido apontadas como potenciais beneficiárias desse cenário.

Conclusão: consenso otimista, mas com riscos subestimados

O mercado brasileiro vive um momento de otimismo, com o Ibovespa renovando máximas, a inflação em queda e o mercado de trabalho aquecido. No entanto, há riscos que merecem atenção. A dívida pública, embora abaixo do esperado, ainda é elevada, e a trajetória da Selic dependerá da evolução da inflação e do cenário fiscal. "O consenso de 'soft landing' da economia brasileira pode estar subestimando os riscos de superaquecimento e os desafios fiscais", alerta um relatório do Banco BBI.

Para os investidores, o cenário atual sugere uma abordagem equilibrada. A renda fixa continua atrativa, especialmente títulos pós-fixados, enquanto a bolsa oferece oportunidades em setores beneficiados pelo consumo e pela queda dos combustíveis. No entanto, é preciso cautela com a concentração do Ibovespa e os riscos macroeconômicos.

Na InvestAI, você pode acompanhar em tempo real os indicadores que impactam o mercado, como a Selic, a inflação e o fluxo estrangeiro, além de simular diferentes cenários para seus investimentos.

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