AMD despenca: o que explica o maior tombo desde a guerra comercial
A AMD registrou sua maior queda diária desde 2018 após divulgar projeções de receita abaixo das expectativas do mercado, acendendo alertas sobre a saúde do setor de semicondutores. Enquanto investidor...
RESUMO EM 60S
A AMD registrou sua maior queda diária desde 2018 após divulgar projeções de receita abaixo das expectativas do mercado, acendendo alertas sobre a saúde do setor de semicondutores. Enquanto investidores digerem o impacto no Nasdaq e em ações ligadas a devices e IA, analistas questionam se o movimento reflete um ajuste pontual ou um sinal de desaceleração estrutural na demanda por chips. No Brasil, o episódio reverbera em fundos de índice como o MI450 e em empresas locais expostas ao ciclo tecnológico, como a Positivo (POSI3). O caso levanta uma pergunta incômoda: o mercado estava precificando um crescimento infinito para a AMD, ignorando riscos como a concorrência da Nvidia e a saturação de alguns segmentos?
Introdução
A queda de 15% nas ações da AMD na última sessão não foi apenas mais um soluço do mercado. Foi o maior tombo desde os dias tensos da guerra comercial entre EUA e China, quando tarifas ameaçavam desestabilizar cadeias globais de suprimentos. Desta vez, o gatilho foi interno: projeções de receita para o trimestre abaixo do consenso, com a empresa citando "ajustes de estoques" e "demanda mais fraca em alguns segmentos de PCs". O mercado, que vinha precificando a AMD como uma das principais beneficiárias da corrida pela IA, reagiu com brutalidade. Mas será que o castigo foi justo — ou exagerado?
Para investidores brasileiros, o episódio serve como um lembrete de que mesmo as estrelas do mercado internacional podem ter dias de escuridão. E, mais importante, de que narrativas de crescimento infinito merecem ser questionadas, especialmente em setores cíclicos como o de semicondutores. Afinal, se até a AMD — que vinha surfando na onda da inteligência artificial — tropeça, o que isso diz sobre o apetite por risco no mercado global?
O que realmente frustrou o mercado
Projeções aquém do esperado
A AMD divulgou uma receita projetada para o primeiro trimestre de US$ 5,0 bilhões a US$ 5,6 bilhões, enquanto analistas esperavam algo próximo a US$ 6,1 bilhões. A diferença de quase US$ 500 milhões no ponto médio acendeu um sinal vermelho. O CEO da empresa, Lisa Su, atribuiu parte da revisão à "redução nos estoques de clientes" e à "demanda mais fraca em segmentos específicos", sem detalhar quais.
O mercado, no entanto, não costuma perdoar surpresas negativas. E, neste caso, a reação foi amplificada por dois fatores:
- Expectativas infladas: A AMD vinha sendo vista como uma das principais concorrentes da Nvidia na corrida pela IA, com seus chips MI450 ganhando espaço em data centers. A projeção fraca colocou em xeque essa narrativa.
- Ciclo de semicondutores: O setor é conhecido por sua volatilidade, com períodos de alta demanda seguidos por ajustes bruscos. Após anos de crescimento acelerado, impulsionado pela pandemia e pela digitalização, analistas já vinham alertando para uma possível desaceleração.
Comparação com a Nvidia: o elefante na sala
Enquanto a AMD amargava sua queda histórica, a Nvidia registrava uma alta modesta, mas simbólica. As duas empresas competem diretamente em segmentos como GPUs para data centers e chips para IA, mas a Nvidia tem mantido uma liderança confortável. Segundo dados recentes, a Nvidia detém cerca de 80% do mercado de GPUs para IA, enquanto a AMD luta para ganhar espaço.
O contraste entre as duas empresas levanta uma questão incômoda: será que o mercado estava precificando a AMD como uma "mini-Nvidia", ignorando suas vulnerabilidades? A resposta pode estar nos múltiplos de avaliação. Enquanto a Nvidia negocia a um P/L (preço/lucro) de cerca de 70x, a AMD estava em 50x antes da queda — ainda elevado para um setor cíclico.
Impacto no mercado brasileiro: além do MI450
Fundos de índice e ETFs expostos
No Brasil, o principal veículo de exposição à AMD é o ETF MI450, que replica o índice Nasdaq-100 e tem a empresa como uma de suas principais posições. Com a queda da AMD, o fundo registrou uma desvalorização próxima a 3% na sessão, arrastando investidores locais que buscavam diversificação internacional.
Mas o impacto não se limita ao MI450. Outros fundos de índice e carteiras recomendadas que incluem ações de tecnologia também sentiram o baque. Segundo dados da B3, o volume de negociações de ETFs internacionais aumentou 20% na última sessão, sinalizando uma corrida por liquidez ou realocação de ativos.
Empresas brasileiras no radar
Empresas locais com exposição ao ciclo de semicondutores ou à demanda por devices também podem sentir os efeitos indiretos da queda da AMD. Alguns exemplos:
- Positivo (POSI3): Fabricante de PCs e dispositivos eletrônicos, que depende da demanda por chips para seus produtos. Uma desaceleração no setor pode pressionar suas margens.
- Linx (LINX3): Empresa de software para varejo, que pode ser afetada indiretamente se a queda da AMD sinalizar uma desaceleração mais ampla no consumo de tecnologia.
- Totvs (TOTS3): Embora menos exposta, uma eventual redução nos investimentos em TI por parte de empresas pode impactar suas receitas.
O que o mercado pode estar ignorando
Sinais de saturação no mercado de PCs
Um dos pontos levantados pela AMD para justificar a projeção fraca foi a "demanda mais fraca em alguns segmentos de PCs". Isso não é um fenômeno isolado. Dados recentes da IDC mostram que as vendas globais de PCs caíram 13% em 2025, após anos de crescimento impulsionado pela pandemia. A AMD, que tem uma participação significativa nesse mercado, pode estar sentindo os efeitos dessa saturação.
No entanto, o mercado parecia ignorar esse risco. As ações da empresa vinham subindo mais de 50% nos últimos 12 meses, impulsionadas pela narrativa da IA. A pergunta que fica é: será que os investidores estavam confundindo crescimento estrutural com um ciclo temporário de alta?
A concorrência da Nvidia e outros players
Outro fator que pode ter sido subestimado é a capacidade da Nvidia de manter sua liderança no mercado de GPUs para IA. Enquanto a AMD luta para ganhar espaço com seus chips MI450, a Nvidia continua inovando e expandindo sua participação. Além disso, gigantes como Intel e até mesmo players asiáticos, como a TSMC, estão investindo pesado no setor.
A AMD não é a única a enfrentar desafios. A Intel, por exemplo, vem perdendo mercado para a Nvidia e para a própria AMD em alguns segmentos. No entanto, a reação do mercado à projeção fraca da AMD sugere que os investidores estavam precificando a empresa como uma "concorrente à altura", sem considerar plenamente os riscos competitivos.
O cenário macroeconômico global
Por fim, o mercado pode estar ignorando o contexto macroeconômico mais amplo. Com juros altos nos EUA e incertezas sobre o crescimento global, empresas de tecnologia cíclicas como a AMD tendem a sofrer mais. No Brasil, onde o Citi projeta o maior corte de juros entre os países emergentes, o contraste é ainda mais evidente. Enquanto o mercado local se beneficia de um ambiente mais favorável, empresas globais como a AMD enfrentam ventos contrários.
Lições para investidores brasileiros
Diversificação internacional: não coloque todos os ovos na mesma cesta
O caso da AMD reforça a importância da diversificação, especialmente em carteiras expostas a mercados internacionais. Fundos como o MI450 são excelentes ferramentas para ganhar exposição ao setor de tecnologia, mas é crucial entender os riscos envolvidos. A queda da AMD mostra que mesmo empresas sólidas podem sofrer ajustes bruscos.
Para quem investe em ETFs internacionais, uma estratégia recomendada por analistas é:
- Balancear exposição: Combinar fundos de tecnologia com outros setores, como saúde ou consumo defensivo.
- Monitorar indicadores: Acompanhar métricas como P/L, dívida líquida/EBITDA e fluxo de caixa livre para avaliar a saúde das empresas subjacentes.
- Usar ferramentas de análise: Plataformas como a InvestAI permitem comparar indicadores de empresas como AMD e Nvidia em tempo real, ajudando a identificar discrepâncias.
Atenção aos ciclos de mercado
O setor de semicondutores é conhecido por seus ciclos de alta e baixa. Após anos de crescimento acelerado, é natural que o mercado passe por ajustes. Para investidores brasileiros, isso significa:
- Evitar o efeito manada: Não comprar ações apenas porque estão subindo, sem entender os fundamentos.
- Questionar narrativas: A história da "IA salvando tudo" pode ser sedutora, mas é importante analisar se os números sustentam o otimismo.
- Manter uma reserva de liquidez: Para aproveitar oportunidades em momentos de volatilidade, como o atual.
O papel dos juros e do dólar
Com o Brasil liderando os cortes de juros entre os emergentes, segundo projeções do Citi, o cenário local parece mais favorável do que o internacional. No entanto, investidores com exposição a ativos em dólar — como ações da AMD ou ETFs internacionais — precisam estar atentos à taxa de câmbio.
Uma alta do dólar pode compensar parte das perdas em ativos internacionais, mas também aumenta o risco cambial. Para mitigar esse efeito, analistas sugerem:
- Hedging cambial: Usar instrumentos como contratos futuros de dólar ou fundos cambiais para proteger a carteira.
- Diversificação geográfica: Além dos EUA, considerar mercados como Europa ou Ásia, que podem ter ciclos diferentes.
Conclusão: um alerta para o mercado
A queda da AMD não é apenas um soluço pontual. É um lembrete de que o mercado, por mais otimista que esteja, não é imune a ajustes. Para investidores brasileiros, o episódio traz algumas lições valiosas:
- Narrativas importam, mas os números importam mais: A história da AMD como "concorrente da Nvidia na IA" era sedutora, mas as projeções de receita mostraram que a realidade pode ser diferente.
- Setores cíclicos exigem cautela: Semicondutores, tecnologia e até mesmo devices podem passar por períodos de alta e baixa. É preciso estar preparado para ambos.
- Diversificação é fundamental: Seja em ações brasileiras, ETFs internacionais ou renda fixa, não colocar todos os ovos na mesma cesta é uma regra de ouro.
- O contexto macroeconômico não pode ser ignorado: Juros altos nos EUA, desaceleração na China e incertezas globais afetam até as empresas mais sólidas.
No Brasil, onde o mercado local vive um momento de otimismo com cortes de juros e projeções de crescimento do PIB revisadas para cima pela XP, o contraste com a queda da AMD serve como um lembrete: o mundo está interconectado, e os riscos globais não podem ser ignorados.
Para quem investe em tecnologia, o caso da AMD é um convite à reflexão. Será que o mercado estava precificando um crescimento infinito, ignorando os riscos? E, mais importante, o que isso diz sobre o apetite por risco nos próximos meses? Uma coisa é certa: em um mundo de incertezas, a análise fundamentada e a diversificação continuam sendo as melhores aliadas do investidor.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento.## Por Time Invest.AI
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Este conteúdo é meramente informativo e educacional, não constituindo recomendação de compra ou venda de ativos. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análise própria ou com auxílio de profissionais certificados.